O desalento dos dragões após o 2-2 - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
O desalento dos dragões após o 2-2 - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+

FC Porto: a mensagem de Farioli pós-Famalicão

Equipa sofreu abalo emocional e técnico ficou desagrado com a exibição, mas quer o grupo sem divagar. Acidente de percurso para capitalizar como energia e atacar em força o campeonato

A forma como o FC Porto deixou escapar a vitória ante o Famalicão, precisamente no último lance da partida, provocou um abalo sísmico em termos anímicos nos jogadores do FC Porto, com Francesco Farioli a reconhecer, no final, que a equipa não se apresentou na sua melhor versão e, por via disso, sofreu um dissabor enorme numa altura preponderante da temporada e da corrida pelo título nacional.

Não estava nas cogitações dos dragões deixar escapar dois pontos preciosos em casa na luta titânica pela conquista do campeonato, mas a verdade é que o acidente de percurso ocorreu e há que encarar a realidade dos factos: o FC Porto continua a depender apenas de si para alcançar o objetivo prioritário da temporada, mas também perdeu a almofada confortável que tinha em relação ao Sporting, ainda que os leões tenham um jogo a menos por disputar, contra o Tondela.

Mas a mensagem que Farioli passou ao grupo de trabalho foi de tranquilidade e foco, sem entrar em qualquer drama ou espectro do fantasma que viveu ao serviço do Ajax, em 2024/25. O italiano quer de imediato blindar o plantel do imenso ruído que pode rodear a família portista face a um resultado inesperado, ocorrido numa jornada em que não se esperava.

Lambidas as feridas, o foco imediato passa por uma resposta enérgica já contra o Nottingham Forest, na primeira mão dos quartos de final da Liga Europa, no Dragão, num jogo em que Francesco Farioli deve operar uma revolução no onze, numa gestão idêntica à que realizou nos dois encontros da eliminatória anterior frente aos alemães do Estugarda.

Na realidade, a intenção do transalpino passa por capitalizar este empate a duas bolas com o Famalicão como combustível para as seis finais que se aproximam na Liga portuguesa, bem como as duas mãos da eliminatória com o Nottingham. Apesar do soco no estômago que o dragão sofreu, a equipa quer dar uma resposta imediata e convincente, reentrando no trilho do sucesso e pensando que os acidentes de percurso acontecem aos melhores. Ultrapassá-los implica reagir de forma assertiva dentro do campo.

Maldição das pontas finais

Dos onze pontos perdidos pela equipa orientada por Francesco Farioli no campeonato, nove foram desperdiçados já na segunda volta, fazendo com que o FC Porto perdesse uma vantagem confortável, que chegou a ser de sete pontos para o Sporting. Mas há um dado que salta à vista nos jogos em que os azuis e brancos perderam pontos no campeonato e que se prende com o facto de as vitórias terem escapado, invariavelmente, nas retas finais dos encontros. Com o Sporting, no Estádio do Dragão, o golo de penálti de Luis Suárez foi obtido ao minuto 90+9; na Luz, diante do Benfica, o 2-2 dos encarnados foi apontado ao minuto 88; e agora, na 28.ª jornada, frente ao Famalicão, o conjunto liderado por Hugo Oliveira bateu o guarda-redes Diogo Costa pela segunda vez quando o relógio apontava os... 90+9.

Houve alguma falta de concentração de uma equipa experiente, que tem claudicado e sofrido com isso nos períodos de compensação dos jogos. É, certamente, um aspeto que Farioli terá de rever com os seus comandados, de forma a evitar mais percalços na temporada, os quais podem ser determinantes na contabilidade final. A adversidade aumenta à medida que nos aproximamos do epílogo da temporada e no universo azul e branco há a perfeita consciência de que o escalar da montanha está a tornar-se cada vez mais íngreme. A união em torno da equipa continua, com os adeptos a aplaudirem os jogadores após o apito final contra os famalicenses. O caminho dos campeões faz-se com pedras pelo caminho, mas o sucesso passa sempre por superar os obstáculos... e Farioli sabe disso.