«Estaremos sempre gratos ao Benfica»
Trabalho, talento, disciplina e gratidão: assim se pode definir o percurso de Guilherme Castro, o mais recente jovem da formação do Benfica a assinar contrato profissional com o clube. As palavras são de Domingos Castro, glória sportinguista, atleta olímpico, vice-campeão mundial e, sobretudo, pai orgulhoso.
Sócio dos leões e «sportinguista ferrenho», o antigo atleta conta a A BOLA como o Benfica abriu as portas a Guilherme e à sua família, sempre «com um tratamento de excelência». E explica: «O primeiro clube a convidá-lo para fazer testes foi o Benfica, em simultâneo com o FC Porto. Só depois é que o Sporting, quando soube dos convites para fazer testes, falou comigo. O Guilherme fez testes no Benfica, FC Porto e Sporting, e estou extremamente grato ao Sport Lisboa e Benfica, que nos tratou desde o primeiro momento até hoje com excelência, um tratamento extraordinário. Estaremos sempre gratos ao Benfica.»
Embora se confesse «um leigo do futebol», garante que «os entendidos dizem que o Guilherme tem um talento muito grande», mas, na sua opinião, talento não chega: «Digo-lhe sempre, 'tens de ter muita humildade, profissionalismo'. Uma das lutas lá em casa é que sejam sempre pontuais, a disciplina é sagrada».
Domingos acredita que o jovem avançado do Benfica «pode ir muito longe se cumprir os requisitos que um atleta de alta competição necessita», e está convicto de que «está no clube ideal para chegar ao patamar mais alto.»
A continuidade de águia ao peito nunca esteve em questão para o avançado de 16 anos, que «gosta muito de estar no Benfica». Domingos revela que, ainda antes de saberem que o contrato profissional estava no horizonte, houve abordagens de clubes estrangeiros — prontamente recusadas.
«Os empresários disseram-me que fomos sondados por um clube da Alemanha, e pediram-me a opinião como pai», começou por dizer. «Cheguei a casa e, sem dar a entender nada, perguntei ao Guilherme se ele aceitava sair se um clube alemão, inglês ou espanhol estivesse interessado em si, ao que me respondeu: ‘achas? Estou na melhor academia do mundo, vou sair para onde? Nem pensar’. Três dias depois, recebemos a notícia de que o Guilherme ia assinar contrato profissional com o Benfica. Seria sempre decisão dele, mas foi uma felicidade muito grande.»
O antigo vice-campeão mundial de 5000m, em Roma, frisou que «um jogador precisa muito dos adeptos», e por isso pede aos adeptos encarnados que «acarinhem o Guilherme, que está a dar tudo pelo Benfica», e deixou ainda um agradecimento: «Fico muito feliz e honrado quando os adeptos me veem no Estádio da Luz e dizem ‘eu sou benfiquista, mas você deu-me muitas alegrias. Mesmo não sendo do Benfica, gostava muito de vocês, os manos [o irmão gémeo, Dionísio, também competia]’, e não imaginam a felicidade que sinto ao ouvir os benfiquistas dizer isto a um homem sportinguista. Tenho uma estima muito grande pelos adeptos do Benfica. Obrigado a eles também.»