Guilherme Figueiredo, o primeiro da esquerda, falou com A BOLA no Rio de Janeiro
Guilherme Figueiredo, o primeiro da esquerda, falou com A BOLA no Rio de Janeiro

Empresa de apostas explica porque entrega €42M todos os anos ao Flamengo

Guilherme Figueiredo, diretor de relações institucionais no Brasil, fala de «um dos maiores contratos de parceria em todo o mundo»

RIO DE JANEIRO — O Flamengo recebeu um empurrão muito importante para poder lutar por todas as competições na América do Sul, obviamente com Brasileirão e Libertadores à cabeça, títulos conquistados em 2025. A parceria com a empresa de apostas Betano rende aos cariocas 268,5 milhões de reais, cerca de 42 milhões de euros, por ano, num acordo de agosto de 2025 até 31 de dezembro de 2028.

A BOLA teve a oportunidade de falar, no Rio de Janeiro, com Guilherme Figueiredo, diretor de relações institucionais da empresa no Brasil, para entender a visão que levou a um patrocínio que se tem de encarar como histórico face aos valores envolvidos.

— Guilherme, começo por lhe pedir um balanço destes meses de relação com o Flamengo…

— O primeiro balanço é extremamente positivo ao fim de nove meses de contrato. Costumo sempre dizer que, para um patrocínio dar certo, os dois lados precisam estar preparados. O clube precisa de estar preparado para atender o patrocinador, e o patrocinador precisa de estar preparado para, efetivamente, conseguir usar todos os ativos que o clube permite. E foi esse o caso. A Betano estava num momento muito maduro, já sendo líder de mercado, muito bem constituída e com ativos importantes como o Campeonato Brasileiro e a Copa Betano do Brasil. Portanto, foi o momento certo para nos unirmos a uma marca que é a maior do Brasil em termos de adeptos, algo que ninguém ousa discutir, mas também em termos de resultados desportivos recentes na América do Sul e no mundo. Aproveitámos para fazer esta ligação de construção de marca. Esse era o primeiro momento: como ligamos rapidamente uma marca à outra? Isso foi feito não só com os adeptos do Flamengo, mas com vários outros, pela forma como foi anunciado, por ter sido um dos maiores patrocínios da história, o maior do Brasil e um dos maiores do mundo. Isso repercutiu de todos os lados. Esta construção de marca é fundamental.O segundo passo era ligarmo-nos aos adeptos. O Flamengo tem adeptos espalhados pelo Brasil inteiro, pela América do Sul e pelo mundo. Como é que nos ligamos a eles? Fizemos uma série de ativações, experiências e levámos a marca do Flamengo para fora do Rio de Janeiro. O Flamengo é, claramente, uma equipa nacional, e precisávamos de sair apenas do Rio de Janeiro. Fazemos isso muito bem. E o terceiro ponto foi o fortalecimento institucional. O Flamengo ganhou ao ligar-se à marca mais importante de apostas desportivas no Brasil. Isso dissipa qualquer dúvida sobre se se deve ou não fazer parcerias no setor das apostas. Quando te ligas à maior e mais reconhecida, isso ajuda também o Flamengo. E para nós, indiscutivelmente, quando te ligas a uma das maiores marcas do mundo... Esta não foi uma compra de patrocínio só para o Brasil. É algo que usámos na Argentina, na Colômbia, no Chile, no Peru, em Portugal e na Alemanha… No outro dia o Neuer estava com a camisola do Flamengo com a Betano, já que o Bayern de Munique também é patrocinado... Temos feito muitas destas ligações. Portanto, este primeiro ano tem um balanço bastante positivo.

— O valor investido no Flamengo não criou, de certa forma, uma mini-revolução nos outros mercados, fazendo com que começassem também a pedir mais dinheiro?

— Isso é normal, certamente. Vimos outros clubes a movimentarem-se com outras casas de apostas e outros patrocinadores. Mas tudo é uma questão de oportunidade. A lei da oferta e da procura funciona em todos os lugares do mundo e em todos os momentos da história. Ali existiam muitas marcas que queriam o Flamengo. A marca que lá estava antes era um pouco menor, então era normal que as grandes marcas se interessassem pela chegada ao Flamengo. E quando tens mais do que um pretendente, naturalmente o valor acaba por subir. Na Betano, entendíamos que aquela era a marcação firme de que éramos os líderes de mercado, uma posição que não deixaria dúvidas. Entendemos que era necessário fazer um esforço extra para isso, fizemo-lo, e o resto é história. Nesses últimos nove meses percebemos isso.

— E o que é que isso impacta em termos de investimento no Flamengo? Para além da presença nas camisolas, onde é que aparece mais a marca Betano?

— Hoje é um patrocínio que tem vários ativos. A presença da marca, naturalmente, é fundamental. A exibição no Flamengo, que tem uma audiência muito alta, está sempre na TV aberta e nos parceiros de média com maior visibilidade. Esse ponto é fundamental. Mas o Flamengo também tem redes sociais fortíssimas no mundo todo. A produção de conteúdo conjunto, em colaborações, relacionamento com terceiras marcas, é fundamental. As ativações no estádio também: hoje é mais divertido ir a um jogo do Flamengo depois de a Betano ter entrado no patrocínio. O adepto vai lá e sente uma experiência de desporto americano, com ativações, ações de entrada em campo, camisolas, mosaicos, etc. Deixámos a experiência do jogo mais divertida, que era uma das coisas que queríamos. As ações fora do Rio, como falei, são fundamentais. Provavelmente 98% dos adeptos do Flamengo nunca vão conseguir ir ao Maracanã porque moram fora do Rio de Janeiro e não é uma viagem simples de se fazer. Como levar o Flamengo até eles? Fazemos isso com ativações quando o Flamengo vai jogar fora, indo a centros comerciais, levando a marca, os jogadores e assim por diante. Outro aspeto são as outras modalidades. Não é um patrocínio apenas para o futebol masculino. Temos o futebol feminino e o desporto olímpico. O Flamengo é um dos clubes com mais medalhas olímpicas do país, tendo ganhado seis medalhas em Paris. Patrocinamos o clube como um todo: todas as modalidades olímpicas, futebol feminino e basquetebol, no qual esteve muito forte, tendo chegado à meia-final. O voleibol feminino quase foi à final da Superliga... Portanto, conseguimos investir no clube como um todo, aproveitando todas as suas potencialidades.

— A aposta é quase um win-win, não é? Porque mesmo que o Flamengo passe por uma fase menos ganhadora, o impacto mantém-se, porque a massa adepta é tão grande que o efeito do resultado não é assim tão importante.

— Sim, sim. O resultado acabou por aparecer, chamamos-lhe o ‘Efeito Betano’ (risos). As equipas que patrocinamos normalmente são campeãs! E foi rápido, mais rápido do que imaginávamos, porque o Flamengo já está muito bem estruturado e acabou por ganhar. Neste período, ganhámos a Libertadores, o Brasileirão Betano, quase ganhámos o Mundial… Perdemos nos penáltis, teria sido fantástico… Aí seria o ‘Efeito Betano’ no seu máximo, pois o último título mundial foi em 81. Já ganhou o Campeonato Carioca este ano... Então é uma parceria vencedora. O Flamengo está pronto para ganhar outros títulos ainda este ano e nos próximos de contrato, com certeza. Mas, como disseste e bem, o resultado é uma parte; às vezes aparece, às vezes não, não o controlamos. Só o facto de o Flamengo estar a lutar por todas as competições e chegar sempre com hipóteses de ganhar, movimenta os adeptos no Brasil inteiro e conseguimos ativar a marca. E se pudermos ativar com a taça, fica ainda mais giro e propaga-se mais. Mas é um pormenor (risos).

— Sei qual é o valor, mas gostava de o ouvir falar sobre o valor do investimento. Tem sempre piada ouvir quem investe dizer esses números todos…

— (Risos) O problema é que não podes ouvir oficialmente da minha boca o valor. O contrato do Flamengo é um bocadinho diferente porque, como tem uma aprovação no Conselho, esses valores normalmente saem cá para fora, é normal que aconteça porque são mais de 2000 conselheiros que têm acesso total ao contrato. Portanto, não precisas de ouvir da minha boca, certamente que tiveste acesso. É algo de que também nos orgulhamos muito: é de longe o maior contrato do Brasil e brinco quando digo que até à geração dos meus netos não vai haver um outro contrato deste tipo. É um dos maiores do mundo. Acabou por repercutir também como um contrato de nível europeu, porque realmente entendemos o Flamengo como uma equipa de nível mundial. E o Flamengo, quando escolhe a Betano, também a entende como uma forma de levar a sua marca a outros lugares do mundo. Tanto que estamos a ser entrevistados por um dos veículos mais importantes de Portugal, o que mostra que aquilo que planeámos deu certo.

A BOLA viajou a convite da Betano

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