Patrícia Sampaio (judo) nos Mundias de Budapeste de 2025. Foto de Kulumbegashvili Tamara
O judo português está envolvido numa nova polémica. IJF

Eleições na arbitragem do judo marcadas acusações de manipulação

Francisco Gaitinha, atual presidente, acusa o presidente da Assembleia Gera, Joaquim Caetano Pereira, de favorecer a candidatura de Jorge Fernandes, ex-presidente da Federação, investigado pelo Ministério Público por tráfico de influências. Já foi feita de denúncia ao IPDJ

O ato eleitoral para a Associação de Árbitros de Judo de Portugal (AAJP), realizado hoje, ficou envolto em polémica, com o atual presidente a denunciar uma tentativa de condicionar o resultado e uma queixa formal a ser apresentada ao Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Na corrida à liderança da AAJP defrontam-se o presidente em exercício, Francisco Gaitinha, e Jorge Fernandes, antigo presidente da Federação de Judo (FPJ) e atual líder da Associação de Coimbra. Recorde-se que Jorge Fernandes foi afastado da FPJ em dezembro de 2022 e está a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de crimes de tráfico de influências, abuso de poder e peculato.

Francisco Gaitinha acusa o presidente da Assembleia Geral da AAJP, Joaquim Caetano Pereira, de marcar deliberadamente as eleições para Coimbra com o intuito de diminuir a participação e favorecer a candidatura de Jorge Fernandes. «Foi mesmo feito para o candidato da outra lista [Jorge Fernandes] ganhar as eleições dos árbitros», afirmou Gaitinha à agência Lusa, explicando que a localização dificulta a presença de muitos árbitros, nomeadamente os das ilhas e de outras zonas do país.

Segundo o presidente em funções, o combinado era que a votação ocorresse durante uma prova ou reunião geral de árbitros. No entanto, a decisão foi outra. «O presidente da Assembleia Geral disse: faço onde eu quiser e tem de ser em Coimbra», relatou.

Estas queixas juntam-se a uma denúncia formalizada na quinta-feira junto do IPDJ por Mário Coelho, ex-presidente da Associação da Ilha Terceira. Na carta, a que a Lusa teve acesso, Coelho aponta «múltiplas irregularidades e atropelos democráticos», alegando que a convocatória não foi enviada a todos os associados, os prazos não foram cumpridos, a data colide com outros eventos desportivos e foi imposto um regulamento eleitoral sem a aprovação da Assembleia Geral.

Confrontado pela Lusa, o presidente da AG, Joaquim Caetano Pereira, justificou a escolha de Coimbra por conveniência pessoal, dado residir em Gouveia. O mesmo responsável admitiu não saber o número exato de árbitros com direito a voto, referindo apenas a necessidade de ter a quota de 2026 em dia, condição que, segundo ele, a maioria não cumpre. Prometeu, contudo, divulgar o número de votantes após o fecho das urnas.

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