Domingos Castro: «Portugal precisa de uma arena de pista curta»
Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), aproveitou a receção do Presidente da República à comitiva de atletismo, no Palácio de Belém, para destacar o feito histórico nos Mundiais de atletismo de pista curta, em Torún, na Polónia, mas também para deixar um apelo: a falta de infraestruturas, que compromete o futuro da modalidade.
A quarta medalha que o atletismo conquistou foi a visita ao Palácio de Belém
Num discurso marcado por emoção e ambição, o dirigente máximo começou por agradecer a honra de ser recebido por António José Seguro, depois das três medalhas conquistadas em solo polaco - dois ouros no salto em comprimento e uma prata nos 1500 metros. «A quarta medalha que a modalidade conquistou foi esta visita ao Palácio de Belém», sublinhou Domingos Castro. Num tom mais descontraído, chegou mesmo a brincar com o facto de o chefe de Estado ter formação de treinador de atletismo, deixando um 'aviso' aos técnicos presentes na cerimónia.
Rapidamente o discurso passou para um tema estrutural: a escassez de infraestruturas para o a prática e desenvolvimento do atletismo em Portugal.
«Portugal tem dos melhores atletas do mundo», começou por afirmou o presidente da FPA, reforçando que os resultados obtidos - três medalhas - confirmam o estatuto dos atletas. Ainda assim, deixou claro que o sucesso não pode esconder as fragilidades existentes na prática da modalidade: «Portugal não tem uma única arena.»
Atualmente, apenas as cidades de Braga e Pombal dispõem de infraestruturas que permitem a realização de competições, sendo que, nesta altura a cidade de Pombal já não se encontra operacional.
Na presença do Primeiro-Ministro na cerimónia, Domingos Castro fez um apelo direto ao Governo para investir no atletismo, sublinhando a necessidade de criar condições que permitam captar e formar as novas gerações.
«Estes ainda são jovens, mas daqui a alguns anos terão de ser substituídos. Temos de cativar os nossos jovens e dar-lhes condições para que possam ser os futuros campeões».
Portugal terminou o Mundial de pista curta no quarto lugar do medalheiro final - a melhor campanha de sempre - atrás dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Itália, reforçando o estatuto de potência emergente no atletismo mundial.