Treinador do Benfica elogiou dupla entre Ríos e Barreiro, mas não escondeu importância de Aursnes

Do «prémio» para o «miúdo» ao «drama» sem Aursnes e Barreiro: tudo o que disse Mourinho

Treinador do Benfica admitiu que resultado contra o Nacional peca por escasso, atualizou condição física de Ríos e Tomás Araújo e destacou importância do médio norueguês

José Mourinho fez o rescaldo ao triunfo do Benfica diante do Nacional (2-0) na sala de imprensa do Estádio da Luz.

— O resultado adequa-se ao que se passou dentro de campo?

— São 24 remates, 8 enquadrados e bem enquadrados, são 15 pontapés de canto, é muito domínio, muita pressão. Um jogo rápido, muita recuperação de bola rápida. O jogo é bem conseguido, ainda que tenha sido salpicado com alguns momentos de quebra de intensidade, mas na globalidade é um bom jogo que tinha tudo para acabar com outros números diferentes. Na primeira parte tivemos boas oportunidades para fazer o terceiro golo e tivemos toda a segunda parte para fazer o terceiro. O Nacional, inteligentemente, percebeu que era difícil dar a volta ao resultado, mas que era possível compactar-se, aguentar-se, equilibrar-se e não sair com um resultado mais pesado do que este. Fomos nós que fizemos um bom jogo e que empurrámos o Nacional para esta incapacidade de discutir o jogo connosco.

— A certa altura os adeptos estavam um pouco mais impacientes por o Benfica não conseguir marcar. Foi por sentir o mesmo que fez quatro substituições de uma vez?

— Os adeptos estavam como eu. Todos os benfiquistas e todos aqueles que trabalham para o Benfica, inclusive os jogadores que estavam em campo, queriam mais, percebiam que mereciam mais, mas o mais não estava a acontecer. Vejo isso com naturalidade. Quem viu o início do jogo, a maneira como abafámos, seguramente aos minuto 15 ou 20 estava a pensar em ver mais golos. Também eu estava a pensar em ver mais. Estamos todos juntos nesse feeling [sentimento].

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— Que impacto tiveram os regressos de Barreiro e de Aursnes?

— O Barreiro e o Aursnes são dois jogadores muito importantes na nossa equipa. Não ter um... ok... não ter dois começa a roçar o drama para nós. Não ter os dois roça o dramático. Hoje já pudemos ter o Barreiro a tempo inteiro e o Aursnes a jogar algum tempo. Ia fazer três, não ia fazer a quarta, a do Enzo pelo Rios foi em cima. Mas são substituições naturais. O Prestianni fez um ótimo jogo, mas já estava obviamente a entrar na linha descendente com o Lukebakio, que fez uma boa semana de trabalho, preparado para entrar. O Ivanović, trabalhador, intenso, pressionante, naquela altura fazia também sentido. A entrada do miúdo [Gonçalo Moreira] não é daquelas situações de ajudar a sua evolução como jogador. Tu ajudas quando metes o Neto e o Banjaqui a titular, o Anísio a 15/20 minutos de fim. A contribuição da entrada a quatro minutos do fim para a evolução enquanto jogador é zero, mas é um prémio que ele merece.

— Que espaço é que o Gonçalo Moreira terá na equipa principal?

— O Gonçalo, seguramente estará connosco na próxima pré-época. A pré-época vai iniciar-se com o Campeonato do Mundo a decorrer, o que significa que vários jogadores não vão estar no início de julho. Aí vai estar, como está no que não defino publicamente, mas defino internamente. Dentro da elite do Seixal, há uma pequena elite. O Gonçalo faz parte dessa pequena elite e seguramente estará a trabalhar na primeira equipa na próxima pré-época. Este ano tem feito tudo, tem jogado em todas as equipas. É fundamentalmente um jogador da equipa B, onde trabalha com o Veríssimo que lhe tem dado a capacidade de crescer tanto contra homens de grande experiência que andam nessas equipas de uma liga difícil como a Liga 2. De vez em quando vem trabalhar com a primeira equipa que lhe dá obviamente um andamento a nível físico e técnico completamente diferente. E espero poder dar-lhe até ao final da época uma oportunidade de crescimento. Hoje foi uma oportunidade só para estar com os pais, beber uma cervejinha e festejar porque já se estreou na primeira equipa do Benfica, mas eu quero dar oportunidades de jogar e desenvolver. Não uma pequena possibilidade como hoje de jogar e desfrutar.

— O Tomás Aráujo é recuperável para o dérbi?

— Diria dificilmente recuperável, mas não estou a dizer irrecuperável. a situação é dificil, ainda não teve sequer em nenhum trabalho de campo, muito menos integrado. Vejo com dificuldade que possa recuperar, mas vamos ver. Falta uma semana.

— O Benfica continuou a pressionar bastante depois dos dois golos, ao contrário do que aconteceu noutros jogos contra equipas da metade inferior da tabela. A situação do Benfica nesta fase poderia ser diferente se tivesse ligado este chip mais cedo?

— É o que obviamente queremos. Não há muitos jogos onde nós tenhamos entrado muito bem no jogo. São mais os jogos em que não entrámos bem do que propriamente os jogos em que entrámos. Se hoje foi fruto do acaso? Não diria porque esta semana insistimos verdadeiramente em coisas que não fazemos bem e que temos que fazer melhor. De facto tem que ser assim, mas por outro lado também temos de ter a capacidade de ganhar jogo feios. Às vezes têm que se ganhar jogos feios e se virmos as equipas que estão em primeiro e em segundo lugar, ganharam muitos jogos feios. Não podes sofrer um golo como sofremos com o Casa Pia e muitos outros que sofremos aqui em casa ao longo do campeonato e que nos comeram pontos.

— A vontade de continuar depende de alguma condição como investimento do plantel?

— Depende só da vontade do clube, não depende de nenhuma condição da minha parte.Não importa o investimento na equipa.

— O que pode dizer sobre a condição física do Ríos?

— Não estou muito preocupado, pensei que fosse muscular, não é. Muscular assusta-me sempre, ainda que pouco, tornozelos assustam-me pouco. É no tornozelo uma entorse que não parece de grande gravidade. Ficaria surpreendido, ainda por cima com a própria personalidade do jogador, se ele não estivesse.

— Que tipo de mensagem é que quer passar para Pavlidis depois de ter falhado um penálti e atravessar a pior fase da época?

 — A melhor coisa que posso dizer acerca do Pavlidisé que há atacantes que só são bons quando marcam golos e que quando não marcam golos a contribuição para a equipa é zero. O Pavlidis não é esse tipo de atacante. Mesmo não fazendo golos a contribuição é boa noutros aspetos do jogo, continua a fazer bem o trabalho. Agora obviamente eu e ele esperamos que um atacante faça golos. Não está obviamente no melhor momento, mas alas têm de fazer golos, médios ofensivos têm que fazer golos. Schjelderup fazia poucos, já começa a fazer muitos. O Rafa teve sete ou oito meses de férias. Também está agora num processo. O Prestianni já vai fazendo o seu golinho também de vez em quando isso é muito importante numa equipa. Vê-se e não há como esconder, até nos penáltis onde ele é fantástico notou-se aquele toquezinho de pouca confiança e de pouca autoestima neste momento. Mas o Pavlidis, gosto muito daquilo que ele significa para a equipa.

 — Ficou satisfeito com a dupla Barreiro-Ríos? É para continuar?

 — Vamos ver o crescimento do Aursnes, mas não há como esconder que o Benfica com o Aursnes é o melhor Benfica. Contente com este equilíbrio entre Ríos e Barreiro, esta combinação de qualidades, porque nos dão a possibilidade de saltar, pressionar alto e projetar os dois homens mais ofensivos nos centrais adversários. Com bola o critério ok. Nenhum deles é o Zidane, um passe falhado aqui e acolá, mas uma boa combinação. Mas não há como esconder que se o Aursnes estiver bem joga.