Ángel Di María regressou ao Benfica em 2023 - Foto: Miguel Nunes
Ángel Di María regressou ao Benfica em 2023 - Foto: Miguel Nunes

Di María recorda Benfica: «Nem sabia onde era Portugal»

Argentino lembrou uma visita de Diego Maradona à Luz e agradeceu o apoio dos benfiquistas nestes cinco anos

Ao fim de cinco anos de ligação ao Benfica, repartidos por duas passagens entre 2007 a 2010 e 2023 a 2025, Ángel Di María cumpriu o seu sonho de regressar à Argentina e voltar a jogar pelo Rosario Central, com o qual está a jogar a Libertadores e foi campeão argentino em 2025.

O extremo de 38 anos concedeu uma entrevista ao Sports Illustrated e abordou toda a sua carreira, mas destacando o clube encarnado que lhe abriu as portas da Europa. O argentino recordou quando chegou a Portugal e admitiu que... nem sabia onde ficava.

«Joguei 36 jogos no Central e tive a possibilidade de jogar no Mundial sub-20 e isso deu-me o salto para poder ir para Portugal. Um lugar que nem sabia onde ficava, não sabia absolutamente nada, mas quando cheguei surpreendi-me muito», começou por dizer, agradecendo o apoio dos benfiquistas.

«Encontrei uma cidade parecida com Rosario, muito parecida. Pessoas incríveis, agradáveis, felizes. Sinceramente, não tenho outra palavra além de agradecimento a toda a gente de Portugal, da liga, do Benfica, por tudo o que me deram durante os cinco anos no total. Desde o dia em que cheguei tornei-me mum ídolo, mesmo ainda não sendo, porque ainda não tinha ganho nada, ainda não era nada, mas eles tratavam-me assim. Viam coisas que talvez eu naquela altura não via, mas com o passar dos anos tudo foi acontecendo e acabei por ser muito querido», explicou.

Di María recordou também Diego Maradona, que foi o seu primeiro selecionador na Argentina e que veio a Portugal para avaliar o jogador de perto no Benfica. «Ele foi como um pai, porque sempre me protegeu de tudo, sempre tentou manter-me afastado de tudo. Não sei se significava alguma coisa o facto de o Diego me levar a um Mundial, mas significava sim o facto de ele ter ido ver-me ao Benfica», contou, enaltecendo as suas qualidades humanas.

«Ele podia ter ido ver outros jogadores, mas, quando eu tinha 20 anos, veio a Lisboa para me ver no Benfica. Naquele momento não me apercebi que ele estava lá, que tinha vindo ver-me a mim em particular, porque era só eu que estava lá naquele momento. Foi algo incrível. Quando as coisas não me estavam a correr bem, ele não me dizia nada, deixava-me desfrutar, sem pressão, a verdade é que tudo o que vivi com ele foi lindo», garantiu.

Agora de regresso a Rosario, Di María não podia estar mais feliz. «O facto de ter voltado é algo que sempre disse desde o dia em que parti. É algo que sempre tive na cabeça, era um desejo, tal como o de todos é ir para a Europa. O meu já era, quando estava na Europa, poder realizar o sonho de voltar outra vez e o desejo de estar novamente em Rosário. Não só por jogar, não só por voltar a vestir esta camisola, mas por poder desfrutar da família, dos aniversários, dos meus amigos, de tudo aquilo que se perde e que eu perdi durante 18 anos estando fora, e até do Natal, do Ano Novo», explicou.

«Coisas que para muitos talvez sejam muito normais, para nós, que estamos fora e não podemos desfrutar de tudo isso e só podemos enviar uma mensagem de feliz aniversário ou apenas participar numa videochamada num aniversário. São coisas que, estando aqui, aproveitas e hoje em dia aproveito em dobro, então ter a possibilidade de tudo isso é algo único, de poder estar novamente em casa com a minha mãe, o meu pai. É incrível e estou a aproveitar imenso e, graças a Deus, as coisas estão a correr bem», acrescentou.

Por fim, confirmou que não vai regressar à seleção para jogar o Mundial 2026, que o seu percurso bonito pela Argentina terminou. «Eu disse que era a última Copa América e que acabava aqui. Sonhei que chegávamos à final, sonhei que a ganhava, que me retirava desta forma. É uma decisão que já tinha tomado depois do Mundial e os rapazes queriam que eu participasse na Copa América, porque se aproximava rapidamente, porque faltava pouco tempo, porque queriam que continuasse e eu nunca afirmei com 100% de certeza que ia sair depois do Mundial. Sempre deixei isso no ar, mas não estava convencido e quando disse que seria na Copa América, aí fiquei firme e disse: 'Bem, é a Copa América e pronto, acaba aí.'», afirmou, desejando sucesso ao seu país para se tornar bicampeão do mundo.

«E acabei por sair da maneira que queria, a conseguir desfrutar e ser feliz, levando a Argentina ao título novamente. Como adepto, sim, vamos lá, é algo que quando se é miúdo se vê na televisão, não se tem a possibilidade de ir por questões económicas ou o que quer que seja e hoje, graças a Deus, tenho essa possibilidade, por isso sim, gostaria de poder ir, poder desfrutar como mais um adepto. A geração continua presente, são os mesmos, conhecem-se de cor, a seleção está bem, está no bom caminho e, além disso, há imensos jovens que vêm atrás agora a dar tudo por tudo e a tentar conquistar um lugar e a fazer coisas espetaculares nos seus clubes», concluiu.