«Depois de sermos campeões o sonho está nos Jogos LA 2028»

K4 composto por Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha diz que o ouro mundial teve sabor diferente do Europeu, que a união tem ajudado nos resultados, mas que ainda há longo caminho olímpico a percorrer

Tendo começado por, em junho, ganhar a medalha de ouro no Europeu de Racice (República Checa), para depois, cerca de um mês mais tarde, conquistar um inédito título de campeões do mundo em Roma (Itália), o K4 composto por Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha não só marcou a canoagem portuguesa em 2025, como o próprio desporto nacional. 

Razão pela qual, na última semana, o Comité Olímpico de Portugal distinguiu os quatro canoístas com o Prémio Excelência Desportiva na cerimónia anual  Celebração Olímpica 2025, realizada em Lisboa.

Honra igualmente concedida à judoca Patrícia Sampaio (-78 kg) e aos atletas Pedro Pablo Pichardo (triplo-salto) e Isaac Nader (1500m). Todos medalhados em mundiais, os dois últimos campeões, e no caso de Patrícia e Isaac, também em Europeus, ela como campeã.

Mas foi sobre o que aqueles êxitos significaram para o K4 da Seleção Nacional, que naturalmente tem o foco apontado aos Jogos de Los Angeles-2028, que A BOLA procurou saber se esse sucesso provocou alguma transformação no grupo e se o compromisso entre todos se elevou. 

— Depois de terem levado o K4 onde Portugal nunca tinha estado em Europeus e Mundiais no mesmo ano, contém um bocado como é que aquilo que conseguiram vos transformou, terem de trabalhar juntos e, sobretudo, o que é que vos modificou para o futuro?
M. B. — É sempre gratificante, obviamente, fazer história. Portugal já tinha sido campeão da Europa, mas nunca tinha sido campeão do mundo em K4 e fomos nós que o conseguimos. É o primeiro ano de ciclo olímpico e já mostrámos que temos uma equipa para continuar este apuramento e estar em Los Angeles [Jogos de 2028] com uma força incrível.

— Mas sentiram que esta época, devido ao que conseguiram, transformou-os um bocadinho? Porque têm de estar como equipa, não há cá individualismos, pois isso prejudica a equipa. Até devido àquilo que foram conquistando e de toda a experiência que trazem, acham que se foram modificando um pouco? Os êxitos ajudam muitas a chegar mais longe.
P. C. — Sim, claro. Penso que achamos todos que somos uma equipa bastante unida. Trabalhamos muito tempo juntos e dedicamo-nos muito juntos e acho que essa união, esse sentimento de entreajuda, foi o que nos ajudou a conseguir os resultados que alcançamos nesta época.

— E qual foi o mais saboroso? Ainda que seja o mesmo que dizer qual dos filhos é o melhor. Foi o ouro Europeu ou o ouro Mundial?
G. G. — Com certeza que o ouro do Europeu foi bastante saboroso, mas o do Mundial é sempre um ouro mundial, por isso podemos dizer que sim, foi o ouro do mundial.

Messias Baptista, Gustavo Gonçalves, Pedro Casinha e João Ribeiro Fotografia Mariana Tenório

— E foi mais difícil?
G. G. — Todas as provas são difíceis, têm a sua complexidade.

— Mas, por vezes, há provas que obrigam a dar mais taticamente outras fisicamente…
G. G. — Ambas foram bastante difíceis. Felizmente, o primeiro lugar seguiu para nós. Mas sim, o Mundial foi uma prova difícil, mas, não se pode dizer que foi mais fácil ou difícil, porque provas fáceis não existem.

— Agora a batata quente. Depois deste ano que correu tão bem, o que é que já combinaram em termos de Los Angeles 2028? Agora que o K4 de Portugal fez a diferença, há alguma coisa que os tenha obrigado a dar um passo para a equipa assumir até aos Jogos?
J. R. — Não, a pressão é natural. Claro que depois de sermos campeões do mundo, o sonho está em 2028, mas temos um caminho muito grande até lá, entre seletivas nacionais, campeonatos da Europa, campeonatos do mundo. No próximo ano vai começar o ranking de apuramento para os Jogos Olímpicos e temos muitos passos para dar. Sonhamos alto, como é óbvio, e acreditámos que é possível, mas sabemos que temos de trabalhar muito, com os pés assentes na terra e passo-a-passo. Em 2026 vamos tentar fazer grandes resultados e ano após ano até chegar aos Jogos Olímpicos.

 — Agora que se tornaram no alvo da concorrência, quais são as metas que colocam? Deixaram de ter uma referência, não há nenhum outro conjunto que os tenha  superado nessas provas. Vai ser olhar um pouco mais para dentro, tentar melhorar alguns aspectos? Que tipo de preparação vão fazer até aos Jogos de 2028?
J. R. — Sabemos que a responsabilidade aumenta, somos o principal barco a abater, mas essa responsabilidade é boa. Significa que iniciámos o ciclo olímpico na frente. E é sempre melhor começar na frente do que atrás do prejuízo e é com essa responsabilidade que vamos trabalhar. Vamos humildemente trabalhar todos os dias para continuar a trazer bons resultados para Portugal.

— E esta tripulação ainda tem mais para crescer, olhando para os seus companheiros?
J. R. — Sim, são três atletas muito jovens, principalmente o Casinha e o Gustavo, são atletas ainda sub-23. Chegaram agora ao patamar mais alto da modalidade e têm muito ainda para evoluir e é aí que vamos nos iremos focar.