«Custou sair do Benfica», admite Florentino
Nos últimos dias do mercado de verão em 2025, Florentino deixou o Benfica para rumar ao Burnley por empréstimo até ao final da temporada e cumpriu um sonho ao jogar na Premier League. Porém, o médio luso admitiu que a saída do seu clube de formação custou e que espera voltar a representar as águias no futuro.
«A decisão foi mais racional, porque se fosse pela emoção ficava a carreira toda no Benfica. Custou e custa saber que era um clube que eu gosto muito, por isso é que ainda hoje acompanho muitos jogos, o futebol português por causa do Benfica. Mesmo a minha filha, a de 4 anos mais velha, diz que tem saudades do Benfica, portanto é um clube que ficou marcado tanto para mim como para a minha família e que gostaria no futuro de voltar a representar. Mas era um sonho que eu tinha de vir para a Premier League, então aproveitei esta oportunidade, achei que era o momento certo e aproveitei», disse em entrevista ao podcast Final Cut da Sports Tailors, avaliando a temporada dos encarnados.
«Tenho acompanhado alguns jogos e acho que o Benfica tem tido alguns altos e baixos durante a época. Se calhar alguns momentos decisivos, não jogos grandes, mas perderam alguns pontos e estão a custar neste final da época. Nada está fechado, quando se olha para o plantel do Benfica vê-se muita qualidade e acho que a química que vai ser necessária vai ser criada ao longo do tempo. Demora algum tempo a ter resultados, se virmos o exemplo do Arsenal, foi uma equipa que demorou anos até ter jogadores conectados e estarem dois ou três anos na luta pelo título. Espero que isso aconteça com o Benfica, que seja estabelecida uma boa base para voltar a lutar por mais títulos», afirmou, revelando que contou com o conselho de um ex-colega na Luz para rumar a Inglaterra.
«Eu, quando venho para cá, que eu venho já no fim da janela, acho que o negócio se faz dia 30 de agosto, mas a primeira e única pessoa com quem eu falei, que também estava tudo muito em cima, foi o Zeki Amdouni, porque ele tinha jogado o ano passado comigo, no ano anterior comigo, e ele estava no Burnley. E ele já estava ali no Burnley, já tinha vivido aquela realidade, estava a viver outra vez essa realidade, então disse ‘ah, não há melhor pessoa para eu perguntar como é que são as coisas.’ E ele disse-me que eu deveria ir porque seria uma boa experiência, que não ia ser fácil de manter na Premier League, que iria ser uma luta até o fim, o que está a ser até agora, e a partir daí eu senti logo a confiança de ir para o Burnley», contou.
Questionado sobre Bruno Lage e Roger Schmidt, com os quais foi campeão nacional uma vez cada, Florentino só tem coisas positivas a contar. «Foram dois tempos diferentes e se não fosse o Bruno Lage a apostar em mim na altura, se calhar hoje não estava aqui na Premier League, não me tinha estreado no Benfica. Tenho sempre e essa gratidão por ele, porque foi um treinador que me abriu essa porta, que é difícil de abrir, e sou muito grato a ele. Ele tem todo o mérito no trabalho que fez no Benfica, nas duas vezes, na primeira em que recupera os pontos e é campeão, e da segunda vez em que consegue dar uma melhor dinâmica ao Benfica», apontou, passando ao alemão.
«O Schmidt foi como uma nova vida, deu-me uma nova vida e lembro-me quando ele veio para o Benfica, falou com todos os jogadores que queria conhecer. Chamou-me ao escritório para saber como eu estava, como tinham sido os meus últimos anos, e ver que ele conseguiu apostar em mim mesmo eu não tendo duas épocas de empréstimo como eu desejava. Demonstra o apreço que tinha por mim como jogador e desde o início eu demonstrei a minha total vontade de continuar ao Benfica. Tinha muita vontade em regressar ao Benfica, após dois anos sem jogar no Benfica, foi um treinador também muito importante e sou muito grato a ele.
Por fim, voltou a afirmar o seu desejo em representar Portugal, a sua prioridade, apesar do interesse de Angola. «Eu sinto-me muito honrado quando me associam a Angola, que é o país onde nasci. Sou angolano, mas também sou português. A razão da minha escolha por Portugal é porque Portugal teve um impacto maior na minha história como pessoa. Venho para cá quando tenho um ano, está a Guerra Civil a acontecer, os meus pais decidem emigrar e todo o meu crescimento foi em Portugal, todas as condições dadas foram em Portugal. Cresci saudável, em segurança, por isso tenho uma missão dentro de mim de representar Portugal. Quando isso acontecer serei muito realizado», concluiu, acreditando na conquista do Mundial 2026.