Como é dura a vida na alta roda internacional (crónica)
O Sporting está mais longe das meias finais da UEFA Champions League, depois de ter perdido em casa na primeira mão dos quartos de final, com um golo sofrido aos 91 minutos quando o empate a zero parecia enviar a eliminatória para Londres e até tinham pertencido aos leões as melhores pequenas oportunidades que um jogo muito insosso, equilibrado e chato produziu em Alvalade.
O equilíbrio apareceu desde o início, sendo que os primeiros sinais de atrevimento foram do Sporting, com remate de Maxi Araújo à barra, logo aos 6 minutos, e uma boa incursão de Geny aos 10, pela direita, desta vez fazendo movimento contrário ao habitual e tentando rematar de pé direito, sem sucesso.
À passagem do quarto de hora o Arsenal descontou os sustos e Madueke quase marcava de canto direto (bola na barra), com Odegaard a atirar ao lado na recarga. Estavam dados os devidos sinais de respeito para os dois lados, foi então tempo de as coisas seguirem uma espécie de ordem natural, com os ingleses a terem mais tempo a bola no pé e o Sporting a manter-se atento a todos os sinais de perigo.
O jogo foi-se passando então a meio-campo, com as presenças de jogadores como Trincão, Pedro Gonçalves, Suárez, Gyokeres, Trossard ou Madueke a quase passarem despercebidas aos adeptos. Claro que isto não foi bem assim, até porque todos eles tiveram de suar em primeiros momentos de pressão por forma a manter os equilíbrios de cada equipa. Mas bolas perto da baliza, que é para isso que todos pagam bilhete... quase nada. Houve um grande passe longo de Inácio (que continuou porém a falhar mais no curto/médio espaço, e dizemos continuou porque já tinha sucedido no jogo da Seleção frente aos Estados Unidos), com Maxi a falhar a assistência a Pote, e já muito perto do intervalo um remate inocente de Odegaard para a primeira defesa de Rui Silva.
A segunda parte foi quase um espelho da primeira, com os leões a terem um primeiro quarto de hora esperançoso, ainda que Trossard tenha chegado a assustar. A partir da hora de jogo o Arsenal voltou a pegar mais na bola e marcou os ritmos. Que não eram muito elevados, diga-se. Sem pressas nem grandes atrevimentos, os ingleses dominavam mas não criavam grande perigo. Chegaram a um golo mais que irregular, por fora de jogo de Gyokeres no início da jogada
O regresso do goleador sueco a Alvalade era uma das notas interessantes da noite, e o que há a ressaltar no final dos 90 minutos é que Diomande o colocou no bolso, como terá feito em muitos treinos de Alcochete. Só aos 67 minutos esboçou (é essa a palavra) um remate à baliza, aproveitando uma jogada em que Maxi Araújo (que jogaço!) abusou do individualismo e provocou desequilíbrio defensivo.
O Sporting, mais conservador no que respeita a substituições, só conseguiu rematar na segunda parte aos 78 minutos, por Geny. A verdade é que esse lance terá sido mote para uma ponta final interessante dos donos da casa, tendo pertencido a Geny (de cabeça, a cruzamento de Suárez, tudo ao contrário mas bem) e a Suárez (a recarga após remate de Geny) as melhores oportunidades de desfazer o nulo.
O futebol da alta roda é assim mesmo. Cruel e muitas vezes decidido pelo talento. Martinelli, que entrara aos 76 minutos, descobriu na área Havertz (que havia entrado aos 70), e o alemão decidiu tudo já no primeiro minuto dos dois de compensação dados pelo árbitro. Só se aprende praticando, e o Sporting terá aprendido algo mais nesta noite de Champions. Há uma segunda mão para jogar e os impossíveis não fazem parte do dicionário da alta competição europeia, mas lá que ficou muito difícil ficou...