Comentário machista dirigido a árbitra vale multa mais alta de sempre em Roland Garros
O tenista paraguaio Adolfo Daniel Vallejo foi sancionado com a multa mais alta da história de Roland Garros, no valor de 65 mil euros, após proferir comentários machistas dirigidos à árbitra brasileira Ana Carvalho.
O incidente ocorreu após a derrota de Vallejo frente ao francês Moise Kouame, num encontro decidido no tie-break do quinto set. Insatisfeito com a arbitragem, o jogador n.º 71.º do ranking mundial queixou-se do tempo que o adversário demorava entre os pontos e afirmou que o encontro deveria ter sido arbitrado por um homem, acusando Ana Carvalho de não ter conseguido gerir a pressão do público francês.
«Este tipo de encontro deve ser arbitrado por um homem. É muito difícil para uma mulher fazê-lo. Deve ser arbitrado por um homem, porque é um público muito exigente, é preciso ter muita força para enfrentar o público», disse o paraguaio, que depois pediu desculpas pelas declarações.
No ténis, os jogadores dispõem de 25 segundos para servir, mas os árbitros têm a prerrogativa de iniciar a contagem do tempo de forma criteriosa, especialmente em situações de muito ruído por parte dos adeptos.
A sanção, que corresponde a cerca de metade do prémio monetário de 130 mil euros que o atleta arrecadou por ter chegado à segunda ronda do Grand Slam parisiense, foi confirmada pela organização do torneio. A diretora de Roland Garros, a antiga tenista Amélie Mauresmo, classificou as declarações como inaceitáveis e detalhou a decisão.
«Foi decidido aplicar uma multa de 65 mil euros, mais ou menos metade do seu prémio em dinheiro. Claramente, isso é algo que, para nós, não é aceitável, nem para o torneio, nem para a federação [francesa], nem mesmo além do torneio. Esse tipo de comentário é inadequado», declarou Mauresmo.