A comitiva portuguesa (Foto: FP Atletismo)
A comitiva portuguesa (Foto: FP Atletismo)

Começa esta sexta-feira o Mundial de pista curta com portugueses na luta por medalhas

Isaac Nader e Salomé Afonso (ambos nos 1500 metros), Agate Sousa e Gerson Baldé (ambos no comprimento) e Auriol Dongmo (peso) são os principais candidatos a chegarem ao pódio

Dezanove portugueses erguem esta sexta-feira a bandeira nacional entre cerca de 700 atletas de 120 países, no grande palco dos Mundiais de pista curta, em Toruń (Polónia). Nunca antes Portugal se fizera representar por uma comitiva tão vasta — um sinal claro de que o atletismo português está a crescer e a amadurecer.

Entre esperanças e ambições, há nomes que brilham com intensidade especial. Isaac Nader (nos 1500 metros), Agate Sousa e Gerson Baldé (no salto em comprimento), Salomé Afonso (também nos 1500) e Auriol Dongmo (no lançamento do peso) carregam nos ombros não só expectativas, mas a possibilidade muito real de chegarem às medalhas.

Alguns chegam como líderes mundiais de 2026 (Nader e Sousa); outros, como Baldé, detêm a terceira melhor marca global do ano. Agate Sousa chega embalada por um salto de 6,97 metros em Gallur (Madrid), a 6 de fevereiro. Já Gerson Baldé vive o auge da sua forma, enfrentando gigantes como Bozhidar Saraboyukov e Mattia Furlani.

Ainda assim, a lista de ambições poderia ser mais extensa. A ausência de nomes como Lorene Bazolo, Patrícia Silva, José Carlos Pinto, Tiago Luís Pereira ou Pedro Pichardo deixa no ar a sensação de que o potencial português poderia ser ainda mais vasto.

A experiência de Dongmo, campeã do mundo em 2022, cruza-se com a força emergente de atletas como Jessica Inchude e o talento resiliente de Salomé Afonso, que continua a afirmar-se entre as melhores da Europa. Entre estreias e regressos, destaca-se também Tatjana Pinto que, aos 33 anos, representa Portugal numa grande competição pela primeira vez, trazendo consigo um passado de medalhas e uma história que atravessa fronteiras.

Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo e a boa disposição entre os atletas (Foto: FPA)

Os sonhos de Domingos

Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, mostra-se otimista e considera que, apesar da imprevisibilidade intrínseca à modalidade, há portugueses com francas possibilidades de lutar pelos lugares cimeiros.

«Temos dos melhores atletas do mundo e alguns deles são claros candidatos a ganhar medalhas. É claro que nada é garantido, pois o desporto em geral, e o atletismo em particular, é sempre imprevisível. E sei bem do que falo, pois andei lá dentro durante muitos anos», afirma o dirigente. «Estou confiante em relação a todos, mas há alguns que terão mais possibilidades de regressar com medalhas, como o Isaac Nader, a Salomé Afonso, a Agate Sousa, as atletas do peso — Auriol Dongmo e Jessica Inchude — e o Gerson Baldé. São candidatos; resta saber se conseguirão lá chegar. Mas, repito, acredito muito neste lote. Além disso, vão correr numa arena espetacular. Portugal precisa de algo assim e sonho com uma infraestrutura destas no nosso país», disse Domingos Castro a A BOLA.

Domingos Castro e a boa disposição entre os atletas (Foto: FPA)