Pierluigi Collina, antigo juiz, é o chefe da arbitragem da FIFA
Pierluigi Collina, antigo juiz, é o chefe da arbitragem da FIFA - Foto: IMAGO

Collina explica novas regras do futebol: «Não queremos punir os jogadores»

Antigo juiz e atual chefe da arbitragem da FIFA garante que as novas leis têm como objetivo dissuadir os jogadores de atrasarem o jogo

Pierluigi Collina, chefe da arbitragem da FIFA, detalhou um conjunto de novas regras e alterações que visam combater as perdas de tempo e aumentar a espetacularidade do futebol. O objetivo principal, segundo o italiano, não é punir, mas sim dissuadir os jogadores de atrasarem o jogo.

Uma das principais medidas é a introdução de uma contagem decrescente de cinco segundos para a execução de lançamentos laterais e pontapés de baliza, que será iniciada ao critério do árbitro quando este detetar uma intenção deliberada de atrasar o reatamento. «O objetivo não é punir, mas convencer os jogadores a não perder tempo», explica o antigo juiz à Gazzeta dello Sport, diferenciando esta regra da dos oito segundos para os guarda-redes, que não tem um tempo máximo fixo devido a variáveis como a disponibilidade da bola.

Outra alteração visa as substituições lentas. Para além da obrigação já existente de o jogador sair pelo ponto mais próximo do campo, a introdução de um tempo limite provou ser um «dissuasor mais eficaz do que a admoestação», com resultados positivos já visíveis na MLS.

Collina abordou também as chamadas «lesões táticas», explicando que a nova regra, que obriga um jogador assistido a permanecer fora de campo por um minuto, tem um duplo benefício: permite uma melhor recuperação e incentiva os jogadores a levantarem-se rapidamente. Os testes foram um sucesso, com uma redução drástica no número de intervenções das equipas médicas durante a Taça Árabe de 2025.

No que toca ao VAR, o antigo árbitro revelou que está em discussão a sua intervenção em lances de segundo cartão amarelo que resultem numa expulsão. «Quando decidimos experimentar o VAR em 2016, a tecnologia era muito diferente», justificou, lamentando que a correção de um segundo amarelo «claramente errado» não tenha sido considerada uma prioridade até agora. «Uma expulsão que daí resulta, além de ser injusta para o jogador, pode ter um impacto no resultado do jogo. É uma pena...», afirmou.

Outra inovação defendida por Collina é a verificação de pontapés de canto mal assinalados. «Faz sentido deixar marcar o canto, esperando que não resulte em golo? É muito melhor corrigir a decisão inicial e assinalar um pontapé de baliza», argumentou, sublinhando que a correção pode ser feita rapidamente, sem perdas de tempo adicionais.

O futuro do VAR será alvo de uma «avaliação global» por parte do IFAB para determinar se, após uma década, necessita de alterações. A hipótese de um VAR «a pedido» não está descartada, com Collina a mencionar o bom funcionamento do «Football Video Support» em jogos com menos câmaras.

Por fim, o chefe de arbitragem da FIFA abordou outros temas, como a intenção de encontrar uma solução para proibir os jogadores de taparem a boca com a mão ou a camisola durante discussões. «Se escondes o que dizes, há um motivo, e não é positivo», declarou. Collina também foi claro sobre o abandono do campo em protesto contra decisões de arbitragem, considerando-o «inaceitável», mas garantiu que «nenhum jogador vítima de racismo será punido», pois para esses casos existe um protocolo específico que os árbitros devem seguir.

O principal campeonato de futebol do Canadá servirá de palco para a experimentação de uma nova regra de fora de jogo, conhecida como day-light, que avalia o espaço existente entre o atacante e o defesa. A decisão surge no âmbito de um esforço para testar diversas soluções inovadoras na modalidade.