COI rejeita inclusão de trail e ciclocrosse nos Jogos de Inverno de 2030
O Comité Olímpico Internacional (COI) vetou, esta quinta-feira, a proposta de incluir modalidades como o trail, cross-country, ciclocrosse ou gravel no programa dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2030, que se realizarão nos Alpes franceses.
A decisão foi comunicada por Kirsty Coventry, presidente do COI, que estabeleceu uma diretriz clara para a edição de 2030. «Votaremos o programa em junho, mas já decidimos que nenhum desporto de verão e nenhum desporto de todas as estações nele figurarão. Tratar-se-á apenas de neve e gelo», afirmou.
A proposta de integrar estas disciplinas partiu da organização francesa, nomeadamente de Edgar Grospiron, responsável pelos Jogos de 2030. Em dezembro, Grospiron defendeu a ideia como uma forma de aproveitar o potencial dos Alpes franceses em altitudes mais baixas e com custos de organização reduzidos.
«Entre os 1.000 e os 2.500 metros de altitude, temos toda a neve, todas as estâncias. Mas, entre os zero e os 1.000 metros, não há nada, embora seja um terreno de jogo formidável. E aí pensamos nos desportos outdoor: trail, ciclocrosse, gravel... Seria uma pena não mostrar esta faceta», justificou na altura.
No entanto, a ambição francesa encontrou forte oposição por parte das federações internacionais de desportos de inverno, que expressaram o receio de «descaracterizar» o evento ao abrir portas a modalidades tradicionalmente associadas às federações de verão.
Apesar do veto para 2030, a porta não está totalmente fechada para o futuro. Foi criado um grupo de trabalho no seio do COI para analisar o programa olímpico a longo prazo, o que significa que estas modalidades poderão ser consideradas para os Jogos de 2034, em Salt Lake City, nos Estados Unidos.
Com esta recusa, outras modalidades como a escalada no gelo ou o freeride, que se enquadram nos critérios de «neve e gelo», mantêm a esperança de integrar o programa olímpico em 2030.