Clássico acende a Luz para exame ao ataque dos dragões
Desde os 5-0 aplicados pelo FC Porto de Sérgio Conceição ao Benfica, há precisamente dois anos, que os clássicos entre dragões e águias tornaram-se um carrossel de emoções, com mais solavancos do que viagens tranquilas para o lado azul e branco. O episódio mais recente, para a Taça de Portugal, terminou em festa portista, com o golo de cabeça de Bednarek a selar a eliminação do rival e a alimentar a crença numa reta final de época em alta.
Já na Liga, porém, o último duelo, já sob comando de Francesco Farioli, não passou do 0-0, sem apagar o peso das duas goleadas por 4-1 sofridas na temporada passada, em que Samu foi o único a conseguir furar a muralha encarnada, assinando os golos portistas nesses dois clássicos.
Com quatro pontos de vantagem sobre o Sporting e um Benfica em clara retoma, o cartaz na Luz exige um ataque afinado com a ambição de título do FC Porto. Sem Samu, que só volta na próxima época, o jogo de domingo surge como mais um teste de fogo para Moffi e Deniz Gul, chamados a ocupar um trono ainda sem herdeiro evidente. Num cenário ideal, ambos beneficiariam de tempo, continuidade e espaço para decidir com outra frieza, numa equipa que continua a ajustar-se à perda do seu finalizador mais letal, autor de 13 golos e uma assistência no campeonato.
Embalado pelo golo decisivo diante do Arouca, Moffi ganhou bilhete para a estreia como titular em Alvalade. A etapa seguinte, porém, ficou aquém das expectativas: o nigeriano teve uma noite discreta, raramente encontrou linhas de passe ou profundidade e saiu aos 63 minutos, reabrindo o debate sobre quem deve assumir o lugar deixado em aberto por Samu. Deniz Gul, por sua vez, continua à procura do primeiro golo como titular, mas apresenta outras credenciais: conhece melhor os timings dos médios interiores e dos extremos, liga com mais facilidade o jogo entre linhas e oferece soluções no capítulo associativo que podem ser valiosas num clássico de margens tão curtas.
Independentemente da escolha de Farioli para o eixo ofensivo na Luz, a sensação é a de que o FC Porto ainda não encontrou o homem capaz de fazer esquecer Samu. O encontro com o Benfica pode funcionar como ponto de viragem: pela dimensão competitiva e emocional que carrega, mas também pelo impulso que um golo — ou uma grande exibição — pode dar a quem ocupar o centro do ataque. Entre a urgência dos pontos e a necessidade de construir uma nova referência, o clássico promete dizer muito sobre o presente… e o futuro imediato do golo portista.
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