Carrasco das aspirações do Benfica ao título jogou 12 anos no Seixal
As voltas que o futebol dá: dificilmente o universo benfiquista imaginou que a (provável) machadada final nas aspirações da equipa de José Mourinho à conquista do título nacional 2025/26 seria dada por um... ex-Benfica.
A história pode parecer revestida de requintes de malvadez, mas foi o que aconteceu esta segunda-feira à noite, em Rio Maior, no Casa Pia-Benfica. Numa altura em que os encarnados já iam fazendo contas a uma aproximação ao líder FC Porto, que empatou (2-2) com o Famalicão, no sábado, os gansos chegaram ao golo do empate. Ao minuto 78, Rafael Brito médio que fez toda a formação no Seixal, bateu Trubin e assinou o 1-1, fixando o resultado final.
Mas quem é este jogador de 24 anos que vestiu pele de carrasco para o clube onde deu os primeiros passos no desporto rei? Rafael jogou nada menos do que 12 anos de águia ao peito, entre 2010 e 2022. Passou por todos os escalões de formação e, já mais velho, foi presença regular na equipa B.
Curiosamente, e apesar de ter sido identificado desde cedo como um dos mais promissores talentos da sua geração — partilhou o balneário com jogadores como Samuel Soares , Tomás Araújo e Henrique Araújo, todos eles ainda no Benfica —, nunca chegou a jogar de forma oficial pela formação principal. Só por uma vez figurou numa ficha de jogo dos graúdos, em fevereiro de 2022, numa partida com o V. Guimarães, era Nélson Veríssimo o treinador, já após a saída de Jorge Jesus do comando técnico.
Internacional jovem por Portugal em 29 ocasiões, Rafael Brito revelou, aquando da renovação com o Benfica em2020, ter o sonho de «jogar pelo Benfica na UEFA Champions League». Algo que ficou por cumprir. Em 2022/23, ganhou tarimba no principal escalão nacional, mas com a camisola do Marítimo, a título de empréstimo. No verão seguinte, desvinculou-se em definitivo do clube onde cresceu e assinou pelo Casa Pia.
Cumpre, em 2025/26, a terceira temporada como jogador dos gansos e tem desfrutado de grande continuidade desde que Álvaro Pacheco assumiu o leme da equipa, ainda que, como A BOLA adiantou em tempo oportuno, vá rumar a outras paragens no final da época. Em 21 jogos, conta dois golos e uma assistência. O destino tem destas coisas: um desses remates certeiros foi contra o clube onde sonhava brilhar. Como tantos outros jovens craques, Rafael Brito teve de dar a volta por outro lado.