Carlos Fernandes defendeu a baliza angolana naquela tarde inesquecível de 2010, no Estádio 11 de Novembro, quando os Palancas Negras chegaram a vencer o Mali por 4-0 e viram o adversário empatar a partida na segunda parte, num dos jogos mais comentados da história do futebol angolano em fases finais da CAN.

Dezasseis anos depois, aos 46 anos, o antigo guarda-redes regressa à Seleção Nacional, mas desta vez sem luvas e sem baliza para defender. 

A nova missão é formar quem ocupa esse lugar. Carlos Fernandes junta-se à equipa técnica comandada pelo senegalês Aliou Cissé, assumindo o cargo de treinador de guarda-redes dos Palancas Negras.

A novidade foi partilhada pelo próprio nas redes sociais, num texto em que misturou entusiasmo e gratidão. Disse sentir orgulho e responsabilidade por ter aceite o convite de Cissé para voltar a fazer parte do grupo da Seleção.

Angola, escreveu, ocupa um lugar especial na sua trajetória. Foi lá que atravessou fases marcantes enquanto atleta, incluindo o privilégio de representar a camisola nacional em campo — uma experiência que, segundo ele, lhe trouxe muita felicidade.

O ex-internacional falou também do sentido simbólico deste retorno: como se estivesse a dar continuidade a uma história que começou ainda como jogador, agora escrita de outra forma, fora das quatro linhas.

Este novo capítulo surge num momento de reorganização do futebol angolano, com Cissé à frente do projeto da Seleção. Para Carlos Fernandes, o desafio agora é outro: transformar anos de vivência dentro de campo em ensinamento para os guarda-redes que hoje defendem as cores nacionais.

Nas suas palavras finais, deixou claro o espírito com que chega "a mesma paixão de sempre, disposição total para o trabalho e um objetivo maior — ajudar Angola a alcançar as metas a que se propõe", disse Carlos Fernandes. 

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