Geny Catamo iniciou o desenho do lance que culminou com a pintura assinada por Daniel Bragança
Geny Catamo iniciou o desenho do lance que culminou com a pintura assinada por Daniel Bragança

Camarão de Moçambique na mariscada de Bragança (as notas do Sporting)

Tiro certeiro do esquerdino desatou o nó na Reboleira e redundou na conquista de três pontos preciosos. Geny Catamo puxou do cartão para 'pagar a conta' e só a barra lhe negou golaço. Quenda está de regresso!
O melhor em campo: Geny Catamo (7)
Se, grosso modo, a exibição dos leões teve (muito) mais transpiração do que inspiração, o internacional moçambicano foi aquele que mais procurou subir o nível e produzir jogadas que pudessem (e)levar a equipa para um patamar superior ao que esteve durante grande parte do tempo. Ainda que longe do brilhantismo de outras noites, a verdade é que o camisola conseguiu ir juntando duas das suas principais armas — técnica e velocidade — para desmontar a teia defensiva tricolor. O canhoto destacou-se, especialmente, na etapa complementar, assentando o seu fator de decisão no lance do golo, cujo passe de rotura para Trincão permitiu ao 17 descobrir Daniel Bragança para o tiro certeiro (59'). Duas dezenas de minutos depois, Catamo viu a barra negar-lhe um golaço!

Rui Silva (7) — Um guarda-redes de equipa grande (e de Seleção Nacional) é assim: pode estar um jogo praticamente inteiro afastado da ação, mas quando é chamado a intervir é... decisivo. A defesa ao minuto 70, na sequência de um tiro de Max Scholze, de meia distância, foi superlativa e levou a que nas bancadas da Reboleira se ouvisse o habitual «Rui, Rui, Rui».

Fresneda (4) — Não regressou para a segunda parte e percebeu-se porquê. Mesmo que na génese da substituição de Rui Borges possa ter estado outra justificação (como a gestão física, por exemplo), a verdade é que o espanhol sentiu algumas dificuldades nos duelos individuais com Ianis Stoica e no ataque não acertou um cruzamento e apenas se fez notar num passe para Francisco Trincão, que atirou por cima da barra (18').

Eduardo Quaresma (6) — Sempre concentrado e a controlar as movimentações de Rodrigo Pinho, não teve, desta feita, hipóteses de sair a jogar como tanto gosta. A pressão dos estrelistas era intensa e a estratégia leonina teve de contemplar outros processos. A segundos do descanso, assinou o seu momento alto, com um corte providencial, no interior da pequena área, a evitar que o cruzamento de Abraham Marcus ficasse à disposição de Robinho (45+1').

Debast (6) — Sereno, como é seu timbre, foi dando as diretrizes necessárias para que o último reduto defensivo estivesse devidamente precavido para os ataques contrários, especialmente as várias transições rápidas desenhadas pelos da Amadora. Aos 55 minutos, fez muito bem a dobra a Maxi Araújo e impediu que Abraham Marcus fugisse à direita.

Maxi Araújo (6) — Não há jogo nenhum que o internacional uruguaio não derrame todo o suor que o corpo lhe permita. Claro que nem sempre brilha, mas a raça é inegociável. Foi o caso. Excelente envolvimento ofensivo que apenas foi travado por Robinho (33').

Morten Hjulmand (5) — Posicional e equilibrador como habitualmente, mas sem a influência de outros desafios. O capitão nunca vergou nos duelos individuais e acabou com saldo positivo.

Daniel Bragança (7) — Pode agradecer a Geny Catamo o facto de não ter sido o melhor em campo. Porque também o merecia. Quem marca o golo solitário que oferece três (preciosos) pontos a um candidato ao título projeta-se automaticamente para o papel de destaque. Depois de uma primeira parte de menor fulgor, o esquerdino subiu de nível na etapa complementar e atingiu o cume da montanha ao minuto 59, quando puxou a culatra atrás e carregou os três pontos para Alvalade.

Francisco Trincão (6) — Começou por dar um sinal do Trincão que os sportinguistas tanto gostam, mas o remate, aos 18 minutos, saiu por cima da barra. Foi aparecendo e desaparecendo do jogo, mas na segunda parte arriscou mais no último terço. Ainda que sem consequências práticas, é certo, mas valeu pelas intenções.

Pedro Gonçalves (5) — Longe do Pote habitual, tanto à esquerda como em zonas interiores. Desperdiçou excelente situação para marcar quando Luis Suárez o convidou a ser feliz (32').

Luis Suárez (5) — Deu mostras de algum desgaste físico. É certo que correu, nunca virou a cara à luta, mas faltou-lhe bola para poder fazer o que melhor sabe.

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Vagiannidis (5) — O grego foi lançado para os segundos 45 minutos e não comprometeu.

Morita (5) — Ofereceu serenidade à intermediária e controlou as investidas dos da casa.

Geovany Quenda (6) — Quem diria que estava há quatro meses sem jogar! Entrou cheio de vontade e 127 dias depois voltou a ser feliz. Podia ter marcado assim que entrou, mas não aproveitou a falha de Max Scholze (68').

Ousmane Diomande (—) — Trancas à porta para a compensação.

Rafael Nel (—) — Entrada para... a ovação a Geny Catamo.