Vinícius e Dedic, avançado do Real Madrid e lateral-direito do Benfica (foto: Imago)
Vinícius e Dedic, avançado do Real Madrid e lateral-direito do Benfica (foto: Imago)

Benfica segurou as estrelas mas faltou agarrar a Champions (crónica)

Pequenos erros e falta de eficácia ditaram adeus frente ao Real Madrid

MADRID — Grande entrada do Benfica no jogo frente ao Real Madrid. Início fulgurante no relvado e nas bancadas do Santiago Bernabéu, com a equipa portuguesa a surpreender e a impor-se durante os primeiros 15 minutos. Mourinho e Tralhão montaram um onze pressionante, com mentalidade ofensiva, solidez defensiva e movimentações inteligentes, que deixaram o gigante espanhol visivelmente baralhado e inseguro.

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Richard Ríos controlou bem as subidas de Carreras pelo interior, Dedic encarou Vinícius Júnior sem medo e venceu a maioria dos duelos. Pavlidis, muitas vezes mais aberto na direita, criou espaços pelo meio para as arrancadas de Ríos, enquanto Rafa e Schjeldrup formaram um carrossel dinâmico. Aursnes, com a bola colada ao pé, assumiu o comando no meio-campo. O resultado dessa orquestra equilibrada foi imediato: aos 6 minutos, Rafa deixou Asencio pregado no relvado com um túnel e rematou para defesa fácil de Courtois; aos 14’, chegou o golo, após jogada envolvente entre Dedic e Ríos, cruzamento de Pavlidis e corte falhado de Asencio, que deixou Rafa isolado para finalizar.

O Benfica dominava, empatava a eliminatória — trazia um golo de desvantagem da Luz — e fazia sonhar os adeptos. Mas a resposta do Real surgiu rápido: Valverde trabalhou bem no flanco direito, cruzou atrasado e Tchouaméni, completamente solto à entrada da área, rematou certeiro para o empate. Ainda assim, os encarnados mantiveram o critério, continuaram a jogar com personalidade e até ameaçaram nova surpresa.

Aos 22’, Aursnes abriu com mestria, Schjeldrup trabalhou bem e a bola passou a centímetros da baliza de Courtois, sem que ninguém a tenha conseguido empurrar. Aos 32’, Arda Guler marcou, mas o golo foi anulado por fora de jogo de Gonzalo. O Real Madrid crescia em posse e presença ofensiva, mas foi o Benfica que criou nova ocasião clara aos 38’, com remate potente de Ríos e excelente defesa de Courtois. Já perto do intervalo, os espanhóis intensificaram a pressão e começaram a chegar com mais perigo a área de Trubin. O descanso chegou no momento ideal para a equipa portuguesa respirar depois de uma primeira parte intensa e de grande nível.

No regresso dos balneários para a segunda parte, Real Madrid e Benfica mantiveram os mesmos protagonistas em campo. Mas a intensidade da equipa espanhola foi outra. Logo aos 48 minutos, um cruzamento de Trent semeou o pânico na área das águias, embora sem consequências no marcador. O Benfica recuou metros no terreno — ou foi obrigado a isso — e passou a ter mais dificuldades em dominar a posse e construir com clareza. O Real Madrid ganhou confiança, acentuando a tendência dos minutos finais da primeira parte. Aos 53’, Gonzalo de cabeça enviou a bola por cima, após pontapé de canto. Um minuto depois, Schjelderup respondeu com jogada individual brilhante, da esquerda para o centro, e um passe açucarado para Rafa, mas Asensio resolveu. Os encarnados continuavam vivos na eliminatória.

Nesse limbo entre sonho e sofrimentos, Rafa Silva voltou a fazer tremer o Bernabéu: aos 60’, soltou um remate poderoso que, porém, bateu na trave. Por instantes, tudo pareceu possível. Futebol de Champions, emoções à flor da pele.

O tiro de Rafa como que intimidou o Real Madrid e devolveu confiança à equipa das águias, que voltou a instalar-se no meio-campo ofensivo. Aos 69’, Pavlidis rematou com força e a bola, desviada por Carreras, passou a centímetros do poste esquerdoo de Courtois. O Benfica continuava a acreditar, deixando claro que o desfecho no Santiago Bernabéu estava longe de ser escrito.

Parecia realmente tudo em aberto, mas uma abordagem deficiente de Tomás Araújo no meio-campo permitiu ao Real lançar Vinícius em velocidade. Otamendi tentou travar o avanço, mas chegou tarde, e o brasileiro — o suspeito do costume — finalizou com elegância e frieza o segundo golo dos merengues. O Benfica ainda respondeu com brilho no lance seguinte. Schjelderup cruzou de trivela com e Rafa Silva, de calcanhar, quase empatou, vendo a bola rasar o poste direito. Classe de ambos, mas com desfecho diferente do lance de Vinícius.

Nos encarnados entraram Barrenechea (por Aursnes), Ivanovic (Schjelderup) e Sidny (Barreiro), as águias mantiveram controle e remetaram o grande Real à condição de jogar no erro do adversário em pleno Bernabéu. Foi o suficiente para a qualificação. Mas bravo, Benfica. E bravo benfiquistas no estádio — foram incansáveis no apoio.