Cameron McEvoy
Cameron McEvoy

Bateu recorde mundial e critica: «É ridículo valer zero e com doping mais de um milhão»

Depois de bater um recorde mundial que remontava a 2009, o nadador australiano Cameron McEvoy lamentou não ter recebido qualquer prémio pelo seu feito. O atleta apontou o facto de não ser recompensado, ao contrário dos atletas que participam nos Enhanced Games, uma competição futura onde a dopagem é tolerada

O nadador australiano Cameron McEvoy, novo recordista mundial dos 50 metros livres, criticou duramente a discrepância financeira entre bater um recorde de forma limpa e competir nos controversos «Enhanced Games», um evento que permite o uso de substâncias dopantes.

Recentemente, no Open da China, McEvoy estabeleceu uma nova marca mundial ao nadar a distância em 20,88 segundos, superando o anterior recorde de 20,91 segundos que pertencia a Cesar Cielo desde 2009, na era dos fatos de banho de poliuretano.

No entanto, por esta proeza, o nadador não recebeu qualquer prémio monetário, uma vez que a competição não estava sob a égide da World Aquatics, que atribui bónus entre 10 mil dólares (8,6 mil eiros) e 30 mil dólares (25,800 euros) por recordes em provas como a Taça do Mundo ou Campeonatos Mundiais.

Em declarações à ABCNews, McEvoy não poupou nas palavras ao comparar a sua situação com os prémios prometidos pelos «Enhanced Games».

«É uma loucura pensar que para conseguir um recorde mundial sem fato e sem consumir substâncias dopantes, como desportista limpo, a bonificação seja de 0 dólares, enquanto que se optasse por uma via mais fácil... Não só se obtém uma bonificação de 1 milhão, mas também um prémio de 250.000 dólares (215 mil euros) pelo primeiro lugar, que se somaria ao recorde mundial», afirmou o australiano.

O nadador sublinhou o absurdo da situação: «O contraste é enorme: estamos a falar de quase 2 milhões de dólares em comparação com 0 dólares. E a opção de 0 dólares é muito mais difícil de alcançar. É bastante ridículo. É uma lástima que o valor que se atribui a algo assim seja, pelo menos dessa perspetiva, que não vale nada».

Curiosamente, o tempo de McEvoy (20,88s) foi inferior ao registo de 20,89s alcançado pelo grego Kristian Gkolomeev num evento promocional dos «Enhanced Games», onde este admitiu ter recorrido a substâncias e a um fato de banho proibido. «Os Enhanced Games proporcionaram-me os recursos e o equipamento necessário para atingir um novo nível de rendimento. Na segunda tentativa, estive num ciclo completo de dois meses [de consumo de drogas]», revelou Gkolomeev na altura.

A primeira edição dos «Enhanced Games» está agendada para 24 de maio de 2026, em Las Vegas. Vários nadadores já confirmaram a sua participação, incluindo o próprio Gkolomeev, Ben Proud (vice-campeão olímpico e mundial dos 50m livres), os irlandeses Shane Ryan e Max McCusker, a colombiana Isabella Arcila, o brasileiro Felipe Lima, a polaca Natalia Fryckowska e o russo Evgenii Somov. O norte-americano Hunter Armstrong, duplo campeão olímpico, também planeia competir, mas afirma que o fará sem recorrer a substâncias dopantes.