Raphinha, figura da vitória do Barcelona na Supertaça Espanhola
Raphinha, figura da vitória do Barcelona na Supertaça Espanhola - Foto: IMAGO

Barcelona teve mais posse de bola na Supertaça do que na 'manita' histórica a Mourinho

Catalães chegaram aos 68% e mantêm identidade de equipa dominadora através da manutenção do esférico

O clássico disputado naquela segunda-feira de novembro de 2010, dia em que o Barcelona celebrava o seu 111.º aniversário, ficou gravado como um dos jogos mais marcantes da história do futebol. Não foi um Barça–Real Madrid qualquer: era a quinta vitória consecutiva de Pep Guardiola frente ao rival, o primeiro clássico com Sandro Rosell na presidência e uma noite em que a equipa de José Mourinho revelou dificuldades em aceitar a derrota. O ambiente tornou-se tenso até ao apito final, culminando com a expulsão de Sergio Ramos, já aos 90 minutos, por Iturralde González, depois de vários lances de excesso ao longo do encontro.

Daquela noite ficou a célebre manita sublinhada por Piqué, mas, mais do que o 5-0 no marcador, a história escreveu-se na forma como o Barcelona dominou o Real Madrid através da posse de bola. «Banho ao Madrid», fez manchete o Mundo Deportivo. O controlo foi absoluto. Xavi, eleito melhor em campo, protagonizou até um gesto simbólico no final do jogo, passando a bola a um adversário como quem oferece alguns segundos de contacto com o esférico a quem quase nunca o teve. As estatísticas confirmam a sensação: 66% de posse para o Barça, apenas 34% para a equipa de Mourinho.

Agora, pouco mais de 15 anos depois, esse domínio foi mesmo superado. Na Arábia Saudita, já com Hansi Flick no banco, os catalães registaram 68% de posse, um valor superior ao do histórico 5-0. Um número que iguala o da derrota na LaLiga no Santiago Bernabéu, também marcada por um 68% de posse blaugrana. Para lá do resultado, o dado é revelador: este Barça mantém o controlo do jogo e do ritmo frente a um Real Madrid que, sob o comando de Xabi Alonso, praticamente abdicava da bola.

Os confrontos mais recentes reforçam a tendência. Frente ao Real de Carlo Ancelotti, o Barcelona já tinha tido mais bola, embora com percentagens inferiores: 58% no Bernabéu e 62% em Montjuïc, em jogos do campeonato. Na final da Supertaça, a posse ficou pelos 51%, subindo para 59% na final da Taça. Com Flick, o desenho é claro: a equipa vive confortável com a bola, dita o jogo e aposta num modelo que, tanto tempo depois do 5-0 a Mourinho, continua a definir a identidade do Barça.