«Armámos de propósito confusão com o banco da Juventus... Resultou e fomos à final»
O Benfica pode e deve arrogar-se de uma certa superioridade histórica sempre que defronta a Juventus em Turim. Em cinco jogos foram três vitórias, uma derrota e um empate que soube a triunfo. A 1 de maio de 2014, as águias de Jorge Jesus empataram a zero depois do triunfo por 2-1 na Luz e garantiram a presença na segunda final consecutiva da Liga Europa, afastando os anfitriões que sonhavam erguer o troféu na casa que tinham inaugurado três anos antes.
Foi a última vez que uma equipa portuguesa atingiu uma final europeia. E um dos protagonistas dessa epopeia foi Artur Moraes. De duas formas: dentro e fora de campo. Na primeira mão, efetuando grandes defesas em momentos críticos; no segundo jogo, protagonizando uma pantomina no banco de suplentes (Oblak foi o titular) com um propósito muito claro. O antigo guarda-redes dos encarnados sorri quando se recorda da história. «Armámos uma confusão com o banco da Juventus na parte final do jogo. Foi de propósito porque já estávamos a jogar com menos dois», começa por dizer em conversa com A BOLA.
«Enzo Pérez já tinha sido expulso [67’] e depois houve o vermelho a Markovic [89’]. Nessa altura precisámos de parar o jogo para respirar, raciocinar e reorganizar. Foram cinco minutos preciosos que deram resultado. Não sofremos golos e passámos à final», descreve o brasileiro. «Também não era difícil haver confusão quando do outro lado estava Antonio Conte», admite Artur, respondendo à provocação. «Eu falava italiano, depois estava lá o Vucinic e o guarda-redes Robinho, dois jogadores com quem tinha jogado, deu para dar sequência», recorda.
São detalhes que definem a história. Outro foi uma entrevista concedida por Pirlo dias antes do jogo em Turim, cuja confiança excessiva serviu de combustível: «Aquelas palavras deram-nos gás.» E teve sorte com os livres do médio: «A bola mudava sempre de direção, mas o segredo era não pensar muito nisso.»
Voltando atrás no tempo, é caso para dizer que o Benfica eliminou uma super equipa que tinha Buffon, Chiellini, Bonnuci, Pogba, Pirlo, Carlos Tévez e Antonio Conte no banco. «Mas nós estávamos muito confiantes. Porque jogávamos muito à bola. Além disso, tínhamos a experiência de na época anterior termos ido à final frente ao Chelsea. Naquela época acertámos a parte defensiva.»
Para o encontro desta quarta-feira, o contexto é diferente para as duas equipas. «Tanto a Juventus como o Benfica estão a reorganizar-se, vivem ambos momentos de instabilidade. Mas acredito que o Benfica pode vencer. Quem tem Mourinho e tratando-se do Benfica, há sempre que pensar que todos os jogos são para ganhar», analisa Artur Moraes.
Filho joga no Benfica e... representa a Itália
Artur Moraes vai assistir ao jogo. Encontra-se em Itália, onde o filho de 15 anos se estreou, ontem, oficialmente pela seleção sub-15, no particular diante da Eslovénia, marcando o golo da vitória (1-0). «Têm sido três meses entre Portugal e Itália», revela o antigo guarda-redes, hoje com 44 anos, falando sobre os vários estágios para os quais o jovem avançado do Benfica tem sido chamado. Lucca Moraes joga nas águias há oito anos e pode representar, no futuro, a squadra azzurra pela ascendência materna. É esse o seu desejo? «Não sei. Ele está a jogar pela seleção que o chamou primeiro e que o está a tratar muito bem. Mas ele joga no Benfica e nasceu em Portugal. Na verdade, ele pode jogar por três seleções porque também há o Brasil. Mas a escolha será dele», afirma.
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