Ángel Alarcón no Utrecht - Foto: IMAGO
Ángel Alarcón no Utrecht - Foto: IMAGO

Alarcón sobre Farioli: «Fez-me crescer mentalmente e ensinou-me o que se exige ao nível máximo»

Extremo do cedido ao Utrecht recorda que o técnico italiano «não queria» que ele «saísse» e garante que a passagem pelo Dragão foi decisiva para a sua evolução. Técnico continua atento à sua evolução: «Diz-me que estou a portar-me bem, para continuar assim»

Ángel Alarcón viveu no FC Porto uma etapa curta, mas que considera decisiva para a sua evolução. O extremo espanhol explicou que a saída, por empréstimo, para o Utrecht foi tomada porque precisava de mais minutos, confiança e competição regular, embora Francesco Farioli lhe tivesse transmitido claramente que não queria vê-lo partir. «O mister disse-me que não queria que eu saísse», contou em entrevista à Voetbal International, acrescentando que sentia que «podia ter ajudado a equipa a sagrar-se campeã», mas que precisava de «ir para outra equipa para ganhar minutos, confiança e, acima de tudo, competir todos os fins de semana».

Podia ter ajudado a equipa a sagrar-se campeã, mas precisava de ir para outra equipa para ganhar minutos, confiança e, acima de tudo, competir todos os fins de semana

Sobre Farioli, Alarcón deixou vários elogios e não escondeu a marca que o treinador italiano lhe deixou. O extremo descreve-o como «um treinador muito organizado» que «valoriza muito a preparação física», alguém que «gosta de pressionar» e que quer que o jogador dê «200%». Foi ainda mais longe ao sublinhar o impacto pessoal do técnico: «Mudou a minha mentalidade para profissional» e «deu-me a confiança de que precisava para me sentir membro da equipa principal e jogador da I Liga».

[Farioli] diz-me que estou a portar-me bem, para continuar assim. Ou pergunta-me como estou, como me sinto

No balanço da relação com o italiano, Alarcón foi explícito no reconhecimento. «A nível pessoal, Farioli foi muito importante para mim», afirmou, completando que o treinador fê-lo «crescer mentalmente» e ensinou-lhe o que se «exige ao nível máximo». Também revelou que, mesmo à distância, o treinador do FC Porto continua atento ao seu percurso. «Diz-me que estou a portar-me bem, para continuar assim. Ou pergunta-me como estou, como me sinto», disse o espanhol, dando conta de uma ligação que não terminou com a mudança para os Países Baixos.

Há coisas que aprendes no Barça que nunca desaparecem. Mais cedo ou mais tarde, voltam a aparecer

A passagem pelo FC Porto aparece também associada a uma aprendizagem prática sobre o que é jogar num clube grande. Alarcón recordou que, apesar de ter tido poucos minutos na equipa principal, essa experiência ajudou-o a perceber melhor o nível e a importância da exigência diária. «Há coisas que aprendes no Barça que nunca desaparecem. Mais cedo ou mais tarde, voltam a aparecer», afirmou, numa comparação que também ajuda a explicar o seu percurso entre La Masía, o Dragão e a Eredivisie. E sobre a mudança de contexto, resumiu a sua escolha com uma frase muito clara: «Estou muito feliz por ter tomado esta decisão. Precisava de mudar de ambiente, voltar a sentir-me futebolista. Era disso que precisava... e encontrei-o aqui».

O nível da Eredivisie é muito mais alto do que as pessoas pensam. É uma liga forte, onde todas as equipas jogam ao ataque

O futebol neerlandês é mais aberto e ofensivo: «O nível da Eredivisie é muito mais alto do que as pessoas pensam. É uma liga forte, onde todas as equipas jogam ao ataque». Em contraste, explicou que em Portugal o jogo é «mais físico, com mais duelos e mais jogo direto», enquanto nos Países Baixos «joga-se mais com a bola». Na pressão, diz mesmo que «o Utrecht e o FC Porto são bastante parecidos.»

Alarcón soma três golos e três assistências pelo Utrecht, em apenas 11 jogos. Foi cedido até ao final da temporada, com o clube neerlandês a assumir a totalidade do salário. A opção de compra de 50% dos direitos económicos foi fixada em 2 milhões de euros, com o FC Porto a garantir uma cláusula de recompra de 40% (dos 50%) por 3 milhões de euros. Antes da cedência, o espanhol renovou contrato com os dragões até 30 de junho de 2028