Javier Aguirre
Javier Aguirre

Aguirre exalta «noite perfeita» do México: só lhe falta um 'whisky'

Selecionador fala da comunhão entre equipa e adeptos em mais uma noite de sonho para os anfitriões

O selecionador do México, Javier Aguirre, descreveu a vitória por 2-0 sobre o Equador como uma «noite perfeita», que garantiu a passagem da sua equipa aos oitavos de final do Mundial e interrompeu a 'maldição do jogo 5'. O triunfo, alcançado no Estádio Azteca perante 80.824 espetadores, foi o primeiro do país numa fase a eliminar da competição em 40 anos.

Em conferência de imprensa, Aguirre destacou a forte ligação entre a equipa e os adeptos como um dos pontos altos da partida. «Foi uma atuação impecável, especialmente a ligação com os adeptos», afirmou, considerando este o triunfo mais importante da sua carreira de treinador, iniciada em 1995.

«Tive a oportunidade de vencer o Brasil e o Uruguai na Copa América, a Itália num amigável em Bruxelas e a França no Campeonato do Mundo. Vivi esses momentos e conquistei grandes triunfos, mas nenhum se compara ao de hoje. É porque acontece em casa, com a nossa gente, e fazemos o que esperam de nós. Esta noite acabou por ser perfeita».

Apesar da euforia, o técnico mexicano evitou classificar o jogo como o melhor da história da seleção. «Seria muita pretensão dizer isso, pois já houve partidas realmente grandiosas e históricas. Eu conseguiria citar quatro ou cinco de cabeça. O México já fez jogos históricos no passado», ponderou.

O selecionador mostrou-se, no entanto, algo insatisfeito com a gestão do jogo na segunda parte. «Jogámos bem, fizemos dois golos e, no segundo tempo, por razões óbvias, o Equador procurou o resultado. Estou um pouco insatisfeito com os contra-ataques, poderíamos ter matado o jogo. Mas isso faz parte do futebol», disse, reconhecendo algum cansaço.

Num momento mais descontraído, e questionado sobre o que lhe faltava após a vitória e ter sido avô recentemente, Aguirre, conhecido pelo seu bom humor, pediu «só uma dose» de uísque para celebrar. «É só o que me falta. Uma dose pequena, com gelo. O que tinha no quarto acabou...Não contes a ninguém...»

O selecionador elogiou ainda, de forma especial, Gilberto Mora, de 17 anos, que foi titular pelo México e um dos mais ativos no ataque. Saiu de campo na segunda parte, sendo aplaudido de pé pelos adeptos. Além disso, tornou-se o segundo jogador mais jovem, depois de Pelé, a ser titular num jogo do Campeonato do Mundo. «É uma pena que o Mora tenha ficado sem fôlego, mas ele ainda é uma criança. No entanto, é muito corajoso. Gostei que todos os jogadores não parassem de correr», acrescentou Aguirre.

Nos oitavos de final, o México defrontará a Inglaterra ou a RD Congo, no que será o seu último jogo no Estádio Azteca nesta edição do torneio. Aguirre elogiou os possíveis adversários, destacando a qualidade dos jogadores que atuam na Europa e a intensidade do seu futebol. «O jogo de domingo é o mais importante tanto na história do futebol mexicano quanto na minha carreira. Para mim, a Premier League é a melhor liga do mundo», comentou sobre a Inglaterra.

Questionado sobre a pressão de ir mais longe na competição, sendo o México um dos países anfitriões, o técnico foi claro: «A nossa obrigação é dar o nosso melhor no campo de jogo. Esse é o nosso dever: entrar em campo e defender o escudo nacional com dignidade, e acredito que temos feito isso até agora».

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