Agora imaginem, por um momento, que Portugal até tinha bom futebol
Formalmente, Portugal tem uma das oito melhores equipas da Europa, com a presença do Sporting nos quartos de final da UEFA Champions League. Imaginem o que aconteceria se o futebol português fosse bom.
Tem também duas das oito melhores equipas da segunda competição de clubes mais importante da Europa, e estas, sem grande hesitação, sérias candidatas a um lugar na final, que aliás disputaram há 15 anos em Dublin. O que mais seria possível se o futebol português fosse competente?
O Benfica está uma vez mais na fase final a quatro da Youth League. Já a conquistou uma vez, tal como o FC Porto, e em dez edições esteve em mais duas finais. Agora vejam bem: se por acaso vivêssemos num país com um bom futebol — teríamos ganho oito em dez?
A Seleção Nacional de futebol de onze masculino (fiquemo-nos, hoje, pelo futebol de onze), campeã da Europa em 2016 e duas vezes vencedora da Liga das Nações, apresenta-se no Mundial-2026 como candidata assumida à vitória final. Se isto acontecesse num país bom de bola talvez até já pudesse encomendar as faixas.
Dizem os registos oficiais que Portugal também é campeão europeu e mundial de sub-17 em título. Isto num país a sério é que era...
Enquanto tudo isto acontece, três clubes monopolizadores do espaço mediático e mais meia dúzia de aspirantes tentam, a cada dia, denegrir a imagem do futebol português, da Liga portuguesa, da nossa competitividade.
Tudo corre mal — cheio de suspeições e intrigas e aldrabices e injustiças e faltas de equidade. Sobretudo quando não ganhamos.
Nada se faz em prol do futebol nacional, e todavia são os próprios clubes a acompanhar as Seleções Nacionais nos trilhos de um sucesso estatisticamente improvável num país tão pequenito e pouco povoado.
Há uma contradição — não sei se já reparámos — entre o que os principais protagonistas mediáticos apregoam semana após semana e a real correspondência em termos de resultados internacionais, já para não falar de uma Liga com três contendores capazes de a conquistarem a poucas jornadas do fim, como tem sido hábito e não acontece assim tanto pela Europa fora.
É esse ecossistema de maledicência e rivalidade estéril que prejudica o valor-moeda do futebol português. Não a qualidade do trabalho de todos. Juntos.