Porzingis atua nos Golden State Warriors. Foto: NBAE
Porzingis atua nos Golden State Warriors. Foto: NBAE

A estranha doença cardíaca que impede estrela da NBA de 'voar'

Kristaps Porzingis lida com um síndrome de taquicardia postural ortostática

Kristaps Porzingis, o poste letão de 2,21 metros, enfrenta uma batalha invisível contra uma condição desconcertante que lhe provoca um cansaço crónico e tem dificultado a sua afirmação nos Golden State Warriors. A sua estreia pela equipa, a 19 de fevereiro, deixou uma sensação agridoce, com o jogador a mostrar lampejos do seu talento, mas também uma evidente falta de ritmo competitivo.

Após mais de um mês afastado dos pavilhões, o antigo jogador dos Boston Celtics atuou durante 17 minutos, nos quais marcou 12 pontos e demonstrou a capacidade intimidatória que o tornou conhecido como o primeiro «unicórnio» da NBA. Contudo, por detrás deste breve regresso, esconde-se um problema de saúde persistente e rodeado de incertezas.

A condição foi diagnosticada como síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS), um distúrbio do sistema nervoso autónomo que pode causar um aumento súbito do ritmo cardíaco ao levantar-se, resultando em tonturas, fraqueza e uma fadiga extrema. O próprio jogador suspeita que a origem possa estar num vírus respiratório que contraiu em 2025, e desde então o seu corpo nem sempre responde às exigências da alta competição.

Os sintomas são imprevisíveis e afetam até as atividades mais quotidianas. Durante a sua apresentação à imprensa em São Francisco, Porzingis não conseguiu evitar bocejar repetidamente, gestos que ele próprio desculpou e que refletiam um cansaço difícil de controlar. «Senti-me bem, embora longe de estar em perfeita forma», admitiu o poste. «É uma questão de tempo até voltar a encontrar o ritmo».

O impacto da doença vai além do físico, podendo causar episódios de esgotamento comparáveis ao final de um dia de trabalho extenuante, mesmo após períodos de descanso. Para combater os sintomas, Porzingis segue um protocolo rigoroso de hidratação, nutrição e repouso, mas a incerteza diária permanece o seu maior adversário.

Apenas três dias após a sua estreia, o jogador sofreu um novo revés ao acordar doente no hotel, o que o impediu de participar no jogo contra os Nuggets. Desde então, a sua presença na equipa tem sido intermitente. Steve Kerr, treinador dos Warriors, reconhece a complexidade da situação.

«É algo um pouco misterioso. A equipa médica está a trabalhar para entender melhor o problema e ajudar o jogador a encontrar estabilidade.»

Kerr chegou mesmo a pedir desculpa publicamente por ter gerado confusão ao falar sobre o diagnóstico, admitindo: «Foi um erro da minha parte falar de algo em que não sou especialista a explicar.»

Porzingis foi campeão da NBA ao serviço dos Boston Celtics

Apesar das dificuldades, no balneário reina a paciência. A estrela da equipa, Stephen Curry, elogiou a dimensão que Porzingis acrescenta devido à sua altura e capacidade de abrir o campo, afirmando que «tem uma presença que procurávamos há muito tempo». Outros líderes do grupo também manifestaram o seu apoio, deixando claro que não há qualquer pressão para apressar o seu regresso.

Enquanto isso, Porzingis, que será agente livre no final da temporada, mantém a calma e a perspetiva, ciente de que o seu futuro depende da sua saúde. Ainda assim, evita dramatizar. «Não quero organizar uma festa de autocomiseração para mim mesmo», afirmou com serenidade.