A Champions, a história pelo tricampeonato e a mudança de 'chip: tudo o que disse Rui Borges
— Qual a expectativa para o jogo com o E. Amadora. Acredita que Ioannidis e Luís Guilherme ainda vão regressar esta época?
— Em relação aos dois, a expectativa é que voltem esta época, não sei ainda o tempo, às vezes consigo contabilizar semanas mas desta vez não consigo. No entanto, acreditamos que voltem antes do fim da época. No que respeita ao Estrela da Amadora, esperamos um jogo difícil, a exigência do jogo que tivemos, historicamente um campo difícil. Uma equipa que tem um final de campeonato difícil e está na luta por pontos. Tudo o que a circunstância leva a querer que será um jogo difícil para nós, mas também temos muito a ganhar. Será um jogo bastante competitivo.
— O que podemos esperar deste adversário. O maior desafio da equipa técnica é que os jogadores mudem o 'chip' da Champions para a Liga?
— Temos de os alertar e focar ao máximo dentro da nossa forma de ser e estar no dia a dia, para conseguirmos mudar para um jogo diferente. Mas a dificuldade é grande, por mais que sejam adversários totalmente diferentes. Continuamos no nosso caminho, o nosso principal objetivo é o campeonato, e é o nosso foco, tem de ser o nosso caminho enquanto equipa técnica, ligá-los na exigência do treino, faze-los perceber que será um jogo com grau de exigência elevada. O Estrela é uma equipa forte no contra ataque, jogadores rápidos e tecnicamente evoluídos no último terço. Desde que o mister João Nuno chegou tenta ser uma equipa com posse, com boas dinâmicas. É a segunda ou terceira equipa que mete passes mais longos para procurar os seus homens na frente. Atleticamente é muito forte, com jogadores muito altos, a média de altura é elevada.
— O mister já disse que «a nossa Champions é a Liga». Se pudesse escolher apenas conquistar uma prova, qual seria?
— É muito subjetivo, mas eu quero ser campeão. É esse o principal objetivo. Na Liga dos Campeões sabemos da grandeza das equipas que estão e que a dificuldade e ainda maior. Não estamos a dizer que estamos a abdicar da Champions, longe disso, mas o nosso principal objetivo é o campeonato. É natural pela diferença de nome das equipas haja um desligar de chip e que a exigência mental dos jogadores possa baixar um bocadinho, e nós não queremos que isso aconteça para aquilo que é a regularidade... é para isso que trabalhamos, é no campeonato.
— O jornal A BOLA na sua edição de hoje associou o Hjulmand ao Man. City. Como olha para estas notícias? A saída dele no final da época é inevitável?
— É inevitável falarem dele. Está a fazer uma boa época, já fez uma grande época na temporada passada, por tudo o que o Sporting está a demonstrar a nível europeu, é natural que falem no Morten e noutros jogadores. Deixa-nos felizes, é sinal que o trabalho coletivo está a ser bem feito. Olho com naturalidade para isso, o futebol é uma indústria. Sair ou não sair, sou muito prático, fico feliz se ele ficar, se não ficar virá alguém para o Sporting com valor, e faz parte do nosso trabalho valorizar e fazer crescer.
— Quenda vai voltar neste jogo?
— Sim, está convocado.
— FC Porto e Benfica perderam pontos na última jornada e ontem o FC Porto, embora numa competição diferente, empatou. É o Sporting quem chega mais confiante a esta reta final da Liga e a equipa que melhor joga?
— Quem vai em primeiro é o FC Porto por isso, até ver, é o melhor. Na minha perspetiva enquanto treinador da equipa estamos bem, com qualidade de jogo muito boa. Dificuldades não vai ser só para o Benfica e o FC Porto, vão ser para nós também. Já amanhã vamos ter uma deslocação difícil. O Estrela tem um calendário difícil, precisam muito de pontos e vão entregar-se ao máximo para os conseguir, seja contra quem for. Dificuldades vão ser para todos, por tudo o que é a exigência das últimas jornadas. Se não tivermos exigência mental e física, vamos ter problemas.
— O Estrela é uma equipa que aposta muito nos passes longos e o Sporting tem Diomande e Inácio em risco por causa da questão dos cartões amarelos para o dérbi. Admite fazer alguma gestão por causa deste aspeto?
— É natural que se fale nisso mas não olho por aí, são dois jogadores que estão disponíveis. Dentro de toda a gestão tentaremos entrar com os melhores para conseguir ganhar. Não interessa pensar no jogo à frente se não conseguirmos ganhar o de amanhã.
— A sequência de jogos do Sporting é impressionante. Vai olhar para o calendário para gerir a condição física dos jogadores para garantir que a equipa mantém o nível?
— É natural, como acabei de dizer, mais do que os amarelos tem a ver com a parte física. Os jogadores vêm aqui com um acumular de muitos jogos, alguns de seleção também. Temos que lhe passar a nossa parte, dentro do que é possível entender, a parte dos dados, do treino, de conversar também com eles, perceber como estão como se sentem, porque precisamos de estar muito ligados, de ter toda a gente no máximo. Às vezes mais vale dar o máximo em 30 minutos do que não dar em 60 ou 70. São jogos que vão pedir muito aos jogadores, física e mentalmente, e temos de estar atentos a isso.
— Os adeptos têm dito que não se importam muito que o Sporting 'abdique' da Champions porque o objetivo é a Liga e o tricampeonato será histórico. Como olha para isso?
— Acabaste de responder à tua pergunta. O tricampeonato é algo que marcará a história do Sporting, que queremos todos muito. Uma equipa é sempre feita primeiro para o campeonato e depois para as outras provas. Os adeptos, e perceber que estamos todos no mesmo caminho, na mesma energia e no mesmo propósito, é natural que o digam. Mesmo na Champions vamos disputar os jogos ate ao máximo.
— O Faye tem sentido algumas dificuldades de adaptação. Como olha para a evolução dele?
— Chegou em janeiro numa fase onde a equipa está consolidada na qual não há muito tempo para treinar. É um miúdo que vem de um contexto diferente, vai ter a sua adaptação, temos de ter alguma paciência. É natural, também sempre disse que era uma perspetiva futura. Infelizmente, o Luis Guilherme teve esta lesão, não queríamos, mas é natural, pelo salto que deu, pela exigência do Sporting, é normal a adaptação.
— Mas tem tido alguns problemas com os extremos e Faye não tem sido muito utilizado. Rafael Nel foi aposta e pegou de estaca. Quando Ioannidis voltar, estará atrás do avançado que estava na equipa B?
— Já vai muito à frente, está a prever o futuro, esqueça isso, eu olho para o presente. O Nel está a dar resposta agora, quando o Fotis [ Ioannidis ] vier é mais uma solução e uma grande solução e dá-me essas dores de cabeça, mas para já não penso nisso. Em relação aos minutos do Faye ou não, tem uma adaptação aqui, dentro daquilo que é a resposta diária. Infelizmente como digo não há muito tempo de treino para criar ligação com a equipa e com as dinâmicas. Mas é natural, não tem esse tempo e esse treino para o fazer. Dentro daquilo que vamos vendo e percebendo, damos os minutos que achamos que devemos dar. Agora o miúdo tem crescido, vem de um contexto diferente com uma exigência totalmente diferente, e acho que ele também percebe isso.
— Além dos lesionados já conhecidos, há mais alguma questão física?
— O João Simões está em dúvida.