Nigerianas são as atuais detentoras do título
Nigerianas são as atuais detentoras do título - Foto: IMAGO

3.ª vez em 6 anos: CAN feminina adiada a apenas 12 dias do início

CAF anunciou a decisão esta quinta-feira e justificou-a com as «circunstâncias imprevistas» em Marrocos, anfitrião também do CAN 2025 masculino

A CAN feminina 2026 foi adiada quando faltavam apenas 12 dias para o seu arranque em Marrocos. A Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou a decisão na passada quinta-feira, justificando-a com «circunstâncias imprevistas».

O torneio, que estava agendado para decorrer de 17 de março a 3 de abril, assume este ano uma importância acrescida, pois serve de qualificação para o Mundial 2027, a realizar-se no Brasil. A CAF não avançou com novas datas nem com um anfitrião alternativo, limitando-se a afirmar que «os preparativos para o torneio estão em curso» e que a decisão foi tomada para «assegurar o sucesso desta importante competição feminina».

Marrocos preparava-se para organizar a competição pela terceira vez consecutiva, mas a especulação sobre uma possível mudança de anfitrião já gerava ansiedade entre jogadoras e adeptos. Os rumores intensificaram-se após as cenas caóticas na final da CAN masculina 2025, em que Marrocos perdeu por 0-1 com o Senegal no Estádio Moulay Abdellah, em Rabat.

Apesar de o sorteio da fase de grupos do torneio, agora alargado a 16 equipas, ter sido realizado a 15 de janeiro, a CAF ainda não tinha divulgado o calendário completo dos jogos. A incerteza levou mesmo a que, no início de fevereiro, o Ministro do Desporto sul-africano, Gayton McKenzie, tivesse de desmentir declarações do seu vice-ministro, que sugeriam que a África do Sul poderia assumir a organização da prova.

Este adiamento volta a levantar questões sobre o compromisso da CAF com o futebol feminino. Recorde-se que a WAFCON de 2020 foi cancelada devido à pandemia de Covid-19, enquanto a edição de 2024, vencida pela Nigéria, só se realizou em julho do ano passado devido a conflitos de calendário com os Jogos Olímpicos de Paris 2024.

«Penso que é por ser futebol feminino...»

Em declarações à BBC Sport Africa, a antiga capitã das Super Falcons, Desire Oparanozie, manifestou a sua profunda desilusão com os sucessivos contratempos. «Estou muito preocupada e diria que estou desapontada, porque isto continua a acontecer com o futebol feminino. Durante a Covid, a WAFCON foi adiada, mas os homens jogaram a Taça das Nações Africanas de 2021 nos Camarões. Penso que é por ser futebol feminino, as pessoas não lhe dão assim tanta importância.»

Oparanozie, que venceu a WAFCON por quatro vezes com a Nigéria, considera «dececionante que se dependa tanto de Marrocos» e defende que a «CAF deveria começar a procurar possíveis países que pudessem assumir o lugar caso Marrocos desistisse». A ex-jogadora alertou ainda para o impacto físico e mental que o adiamento pode ter nas atletas, que já se encontravam em plena preparação. Seleções como a Nigéria, os Camarões e o Gana mantinham os seus planos com jogos particulares de alto nível.

«Elas [as jogadoras] estarão muito preocupadas, considerando a quantidade de trabalho que investiram até agora, tanto física como mentalmente. Colocaram as suas vidas em pausa para se concentrarem neste torneio, e uma incerteza prolongada pode desmoralizar algumas», afirmou.

A situação da seleção do Gana, que se encontrava em estágio nos Emirados Árabes Unidos, tornou-se ainda mais delicada devido ao conflito no Médio Oriente, que provocou o encerramento do espaço aéreo. A assessora de imprensa da equipa, Matilda Dzifo Dimedo, garantiu à BBC que a comitiva estava em segurança e em contacto com a missão diplomática do país para garantir o seu regresso assim que possível.