Melhor Manchester United da época apareceu para vencer a Taça da Inglaterra
Bruno Fernandes ergueu a Taça de Inglaterra (IMAGO)

Melhor Manchester United da época apareceu para vencer a Taça da Inglaterra

'Red devils' venceram o Manchester City na final por 2-1

Pela 13.ª vez na sua história e frente a quase 85 mil pessoas no Estádio Wembley, o Manchester United é vencedor da Taça de Inglaterra, ao bater o Manchester City por 2-1 no jogo decisivo.

Para esta final, a lição vinha bem estudada de parte a parte. Pep Guardiola apresentou-se igual a si próprio. O Man. City, com Bernardo Silva a titular, jogou com o português e Phil Foden mais encostados à linha, com um estilo mais de apoio que de 1 contra 1. Do outro lado, Erik ten Hag colocou o Manchester United com uma postura mais defensiva. Diogo Dalot estava na esquerda e o eixo defensivo de Varane e Lisandro Martínez dava segurança à equipa. Mainoo e Amrabat nas costas de McTominay e, na frente, Bruno Fernandes, não como o último homem da construção, mas sobretudo para ser o primeiro na pressão.

Logo ao início, Garnacho obrigou Ortega a intervir, num momento que viria a definir o jogo. Nesta altura, o Manchester City tinha 75% de posse de bola, mas zero remates. Por seu turno, o Manchester United aproveitava para, em momentos curtos, tentar ser vertical e direto, sempre sem sacrificar o lado defensivo.

Este plano deu frutos à meia hora de jogo, mas não como se previa. Quatro minutos após a melhor jogada dos skyblues na primeira parte, uma troca de bola dentro de área em que Kovacic não conseguiu encontrar ninguém para rematar, um lance aparentemente controlado por Gvardiol e Ortega não podia ter sido mais catastrófico: o croata cabeceou, a bola sobrevoou o guarda-redes desposicionado e isolou Garnacho. Estava feito, com pouca bola mas muita justiça, o 1-0 para o Man. United.

O momento provocou um nervosismo claro nos tetracampeões ingleses. O Manchester City continuava com mais bola, mas as perdas de posse eram mais frequentes. Rashford ainda marcou, mas a jogada foi anulada por fora de jogo. Não viria, porém, a demorar o tento da tranquilidade, com influência portuguesa.

Após mais uma perda de bola, Garnacho encontrou Bruno Fernandes à entrada de área. O capitão armou o remate e... passou. Defesa enganada, Mainoo isolado e, de primeira, o jovem de 18 anos não desperdiçou. Passe sensacional do portuguese magnífico permitia que o United fosse para o intervalo com 2-0 no marcador.

Guardiola não perdeu tempo a fazer alterações. Jérémy Doku entrou para o lado esquerdo, com Foden a juntar mais ao meio, plano que dificilmente podia ter corrido melhor. O duelo Doku-Wan Bissaka surgiu uma e outra vez ao longo da partida, com resultados equilibrados de parte a parte. Com o melhor jogador da última Premier League mais no meio, o jogo fluía mais, ainda que Amrabat e Mainoo continuassem a fazer uma partida quase impecável.

Aos 55 minutos, Haaland atirou à barra, o primeiro lance em que apareceu na partida. Este lance serviu de eixo para o que restava da partida. O Man. City projetou-se mais, montou campo no último terço do terreno e o Manchester United fazia o que podia para aguentar o cerco. Julián Alvaréz entrou e teve nos pés o 1-2, mas atirou ao lado.

Só aos 87 minutos voltou o marcador a sofrer novas alterações. Se não havia espaço de perto, tinha de ser de longe. Walker tentou duas vezes, para duas intervenções de Onana, mas, à terceira, já não conseguiu parar. Foi Doku que passou por Wan Bissaka, armou o disparo e deu esperança aos citizens. Não havia, porém, tempo suficiente.

No último jogo da temporada, o Manchester United fez, indiscutivelmente, o melhor jogo da época. A disciplina defensiva aliada à acutilância no ataque revelou-se demasiado para o Manchester City, que não teve o espaço necessário para criar perigo. 74 jogos depois, Rodri volta a perder um jogo, naquele que foi o final da série invicta de 35 jogos dos skyblues. Os red devils fizeram o que precisavam de fazer dos 27% de posse de bola que tiveram e sagraram-se, justamente, vencedores da Taça de Inglaterra. Erik ten Hag poderá estar de saída, mas se esta final for um exemplo, pode mesmo ser este o treinador ideal para guiar o clube.

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