Carlos Fortes: «Quem sai da Indonésia quer sempre voltar»
Carlos Fortes (

Entrevista A BOLA Carlos Fortes: «Quem sai da Indonésia quer sempre voltar»

INTERNACIONAL24.12.202310:07

É um dos melhores marcadores portugueses no ano 2023; está no PSIS Semarang há três anos, depois de se ter aventurado na Indonésia, em 2020, no Aneme FC, onde jogou uma temporada; a importância de Eduardo Almeida na chegada ao país; campeonato árabe atrai avançado português

- Em 2023, leva 13 golos e está entre os portugueses com mais golos no ano civil. Como analisa o ano que agora está a terminar?

- No geral, acho que foi um ano positivo, mas poderia ter sido melhor. Tive uma lesão no início do ano que me condicionou bastante e me impediu de ter feito melhores números. Ainda assim, é grande motivo de orgulho para mim ver o meu nome, na lista dos melhores marcadores portugueses em 2023.

- Como surgiu a oportunidade de ir jogar para a Indonésia?

- Surgiu por parte do mister Eduardo Almeida [atualmente no RANS, também da Indonésia], que na altura tinha assinado pelo AREMA e estava a construir a equipa. Era um presidente novo, um bom projeto e o mister ligou-me para falarmos e foi rápido.

- O primeiro ano na indonésia foi complicado?

- Sim, foi o mais complicado, sobretudo os primeiros dois meses, pela adaptação à comida, ao fuso horário e às temperaturas altas. Mas a nível pessoal e coletivo foi um ano muito bom a todos os níveis.

- Em termos culturais e alimentares, a Indonésia é muito diferente de Portugal?

- Totalmente diferente. O povo indonésio é bastante acolhedor, são todos muito simpáticos e gostam de nos fazer sentir valorizados e queridos. É um país com poucas regras, mas eles lá se entendem. A alimentação é claramente um dos aspetos mais difíceis, pela comida picante. Quem não está habituado, acaba sempre por ter problemas.

- É o único português no PSIS Semarang, mas no campeonato existem muitos mais. Fala com os outros portugueses do campeonato?

- Falo bastante com o Zé Valente [Persik Kediri], que chegou no ano passado. Agora mantenho contacto com os outros, mas com quem mais falo é com o Zé, até porque já tínhamos jogado juntos no Vizela.

- Já está há quatro temporadas na Indonésia. Falou com outros portugueses antes de aventurar-se no campeonato indonésio?

- Sim, sim… Eles procuram sempre saber como são as condições, como é a Liga indonésia e, na verdade, acho que é um campeonato muito bom, com todos os problemas que vem tendo ultimamente. Porém, acredito que quem sai da Indonésia, fica sempre com vontade de voltar. Quando me pedem conselhos, aconselho sempre a virem para cá com a mente aberta, claro, porque é uma realidade totalmente diferente, mas é um país e um campeonato bom para se viver e jogar.

- A maior parte dos jogadores são indonésios, tal como o treinador. A comunicação é fácil?

- A comunicação é em inglês. Eles conseguem ter diálogos e falam minimamente bem, o que ajuda e faz com que o entendimento seja mais fácil. A língua indonésia é muito difícil, mas já sei algumas coisas, embora ainda não chegue para conseguir conversar.

- Já passou por Portugal, Espanha, Turquia, Roménia, Marrocos e agora Indonésia. Algum outro país que gostasse de experimentar?

- Nunca tive medo de emigrar e agora estou feliz por cá estar, mas se aparecesse uma oportunidade melhor, noutro país, seria algo que não me iria de certa forma assustar; não tenho preferência por nenhum país, mas claramente que, com a influência monetária do campeonato saudita, até pela estabilidade a longo prazo da minha família, seria algo que poderia ser muito atraente.

- Em termos coletivos, quais os objetivos do PSIS Semarang?

- Os nossos objetivos sempre foram garantir a manutenção. Temos feito um grande campeonato e estamos em posição de disputar o play-off de campeão. Acho que temos qualidade para o alcançar, mas é uma liga difícil, em que, por vezes, os clubes não conseguem manter a estabilidade necessária, mas até agora tem corrido tudo bem e vamos continuar a trabalhar para conseguir atingir esse objetivo.

- Regressar a Portugal está nos planos?

- Sim, está nos planos, não sei é quando. É algo em que penso muito, até pela minha família, pois a minha mulher e os meus filhos encontram-se em Portugal. Perco muita coisa diariamente, estando longe deles, por isso é claramente uma opção.

- Se fosse treinador de uma equipa qual o jogador que escolheria para o plantel?

- Se fosse treinador, escolheria o jogador mais completo do mundo e o meu ídolo: Cristiano Ronaldo.

- Já pensa no pós-carreira ou ainda é cedo?

- É algo em que venho pensando. Tenho alguns projetos em andamento e que quero realizar em parceria com a minha mulher. Comecei o curso de treinador UEFA C, mas ainda não consegui terminar porque, entretanto, vim para a Indonésia e queria ver também algo mais relacionado com o agenciamento de carreiras desportivas.

Nome: Carlos Manuel Santos Fortes 
Idade: 29 anos
Posição: Ponta de lança 
Altura 1,88 m 
Carreira em Portugal Sacavenense, Alta de Lisboa, CAC Pontinha, Nacional, SC Braga, Vizela e Vilafranquense Carreira no estrangeiro Santander (Espanha), Sanlıurfaspor (Turquia), Gaz Metan Medias (Roménia), Universitatea Craiova (Roménia), Tanger (Marrocos), Arema (Indonésia) e PSIS Semarang (Indonésia)