Vonn fala pela primeira vez do acidente que quase lhe custou a perna

Na primeira entrevista depois do acidente, nos Jogos Olímpicos de inverno Milão2026, a 'rainha da neve' assumiu que correu risco de amputação e que foram 13 segundos assustadores

A estrela norte-americana do esqui, Lindsey Vonn, partilhou um relato emotivo sobre o acidente sofrido nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, que quase resultou na perda da sua perna esquerda. Numa entrevista à Vanity Fair, a atleta descreveu o pânico e a dor excruciante que sentiu após ter partido a tíbia, a fíbula e o tornozelo.

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Vonn, que foi transportada de helicóptero da pista no mês passado, recordou o momento em que foi submetida a uma tomografia computorizada (TAC) sob os cuidados de Tom Hackett, médico principal da equipa de esqui e snowboard dos EUA. A dor era insuportável, mesmo após a administração de analgésicos.

«A meio do exame, comecei a suar. Estava com uma dor tão extrema. Gritei a plenos pulmões: Tirem-me daqui», revelou a tripla medalhada olímpica. «A dor simplesmente não passava. Não aliviava. Está gravado no meu cérebro.»

O exame confirmou uma fratura grave na perna esquerda que exigia estabilização cirúrgica, levando Hackett a decidir pela transferência da atleta para um hospital em Treviso. No entanto, a transferência foi complicada pela presença massiva de paparazzi, que cercaram o heliporto e dificultaram a aterragem do helicóptero.

«De alguma forma, vazou a informação de que íamos para lá», contou Hackett à Vanity Fair. «O que foi extraordinário. Eu não disse a ninguém.»

À chegada ao hospital, uma equipa de 20 médicos e enfermeiros preparou-se para operar a perna de Vonn. Apesar de a primeira cirurgia ter corrido bem, a dor da atleta intensificou-se e a perna não parava de inchar, não respondendo a doses elevadas de analgésicos como fentanil, morfina e oxicodona.

A situação tornou-se crítica quando Vonn foi diagnosticada com síndrome compartimental, uma condição perigosa em que a pressão dentro do músculo aumenta, restringindo o fluxo sanguíneo e podendo causar danos neurológicos graves. Hackett explicou a gravidade do quadro: «Havia uma probabilidade muito significativa de ela perder toda a função da perna, se não a própria perna. Na melhor das hipóteses, nestas situações, talvez se consiga manter a perna, mas ela ficará inútil.»

Vonn recordou a intervenção decisiva do médico: «O Dr. Hackett estava à minha esquerda. Havia um monte de médicos e enfermeiros à minha volta. Ele disse: 'Não te preocupes, vou salvar a tua perna. Eu trato disto. Vou para o bloco'.»

A esquiadora confessa que ainda não consegue explicar por que se desviou do caminho: «Eu estava exatamente com a mentalidade certa. Sentia-me preparada. Eu era a número um do mundo e uma forte candidata a medalha. Agora estou em uma cadeira de rodas», disse, sem se arrepender da decisão de tentar outra medalha olímpica. «Não quero ser lembrada apenas por aquela queda», acrescenta a esquiadora de 41 anos. «O que eu conquistei antes dos Jogos foi inédito. Eu era a número um no ranking, e agora ninguém se lembra que eu estava em uma posição tão forte», lamenta.

Talvez, por isso, não quer ainda falar em fim de carreira. «Às vezes tenho a impressão de que já ninguém se importa. O mundo continua girar, estejas ou não presente. Aquela foi uma corrida final horrível para encerrar minha carreira. Só durei treze segundos. Mas foram treze segundos muito bons», considerou, ambígua.