Volta à Catalunha: Godon rouba primeiro doce a Evenepoel
A Volta à Catalunha começou com grande espetáculo. Os candidatos à geral assumiram posições desde o primeiro dia e os quilómetros finais da primeira etapa, uma ligação de 172,7 quilómetros com partida e chegada a Sant Feliu de Guíxols, foram disputados a alta velocidade, com Jonas Vingegaard, Remco Evenepoel e João Almeida a tentarem impor-se face aos rivais, sempre muito atentos à cabeça de corrida.
No entanto, a vitória foi para Dorian Godon, velocista francês da Ineos com aptidões para subidas curtas e explosivas, que bateu Evenepoel em duelo decidido por escassos centímetros, no topo de uma ascensão de 400 metros feita a elevada intensidade, no limite das forças, e com o pelotão totalmente estirado.
O primeiro a lançar-se na rampa final foi Tom Pidcock, acabado de chegar a Milão-Sanremo em forma, mas certamente com sentimentos mistos por ter sido o único a resistir aos ataques de Tadej Pogacar, mas derrotado pelo esloveno no sprint final. No entanto, o britânico da Pinarello calculou mal a distância para a meta e a energia de que dispunha, e foi ultrapassado por Remco Evenepoel e Godon a 200 metros ainda da linha, com o francês na roda do belga, e capaz de superá-lo no derradeiro esforço para conquistar a vitória, por menos de meia roda. Pidcock foi a tempo de ser terceiro classificado.
🏆Dorian Godon ha pogut superar a @EvenepoelRemco en un final apassionant!
— Volta a Catalunya (@VoltaCatalunya) March 23, 2026
⏮️ Reviu l'últim quilòmetre!
💥Godon @INEOSGrenadiers was able to get an impressive win!
⏮️ Watch out the last km of the 1st stage at @Guixols.#VoltaCatalunya105 pic.twitter.com/9Wa19KAeyA
João Almeida chegou instantes depois, integrando o pelotão esfrangalhado, na 23.ª posição, ao lado do apontado rival na corrida à vitória na prova catalã, Jonas Vingegaard, ambos com o mesmo tempo do vencedor. Godon, de 29 anos, é o primeiro líder da prova, Evenepoel bonifica seis segundos pelo segundo lugar na etapa - tempo que ganha à concorrência pela camisola branca, que na Volta à Catalunha é o símbolo de comando da geral -, enquanto Pidcock arrecadou quatro segundos pelo terceiro posto na tirada.
Afonso Eulálio perdeu dois segundos, na 66.ª posição, enquanto Ivo Oliveira (UAE Emirates) foi 110.º classificado, com mais 3.47 minutos, depois de muito ter trabalho na fase final da etapa.
Uma longa fuga de cinco corredores, formada logo no início da etapa, sempre controlada pelo pelotão, foi anulada a cerca de 20 quilómetros da meta quando a corrida entrou numa fase do percurso de relevo acidentado, com curtas subidas sucessivas.
Etapa 1⃣. Sant Feliu de Guíxols @Guixols
— Volta a Catalunya (@VoltaCatalunya) March 23, 2026
Top 1⃣0⃣ Etapa
🥇Dorian Godon - @INEOSGrenadiers
🥈 @EvenepoelRemco - @RBH_ProCycling m.t.
🥉@tompidcock - @Pinarello_Q36_5 m.t.#VoltaCatalunya105 🚴♂️ @ClubRACC pic.twitter.com/oUWlmnrAFa
Dorian Godon: «Os últimos 50 m pareceram uma eternidade»
Já vencedor esta temporada na 7.ª etapa do Paris-Nice, Dorian Godon voltou a erguer os braços numa prova do WorldTour. «É a mesma chegada dos últimos anos, conhecemo-la bem. Fui quarto duas vezes, desta vez foi o meu dia. É um quilómetro final invulgar. Penso que ultrapassei o Remco um pouco cedo demais, talvez devesse ter esperado um pouco mais. Foi muito difícil, os últimos 50 metros pareceram uma eternidade, mas ainda consegui manter a liderança», explicou o campeão francês, que poderá ter outra oportunidade de brilhar na 2.ª etapa, na terça-feira. «Será outra boa etapa para mim, mas preciso de recuperar.».
Tom Pidcock: «Talvez o meu melhor sprint de sempre...»
Tom Pidcock perdeu a Milão-Sanremo no sábado para Tadej Pogacar por centímetros. Esta segunda-feira, voltou a tentar vencer da mesma maneira a 1.ª etapa da Volta à Catalunha - e voltou a não ser feliz.
«O sprint foi intenso. A parte final da etapa, ao longo da costa, com subidas e descidas, ventos laterais, ventos favoráveis e ventos contrários, foi difícil. Tive de lançar o ataque um pouco mais cedo porque, numa chegada técnica, perder velocidade pode arruinar tudo», declarou o britânico, de 26 anos.
«Posso não ter vencido, mas provavelmente foi o melhor sprint de sempre, e só por isso estou satisfeito. Todos dizem que estas chegadas me favorecem, mas foi um sprint de potência pura, e senti-me forte. Esta manhã, pensei que as minhas pernas estavam recuperadas [da Milão-Sanremo], mas afinal estavam bastante pesadas no início da etapa», afirmou Pidcock.