Almeida e Vingegaard, o português venceu duelo de titãs no 'inferno' do Angliru

Volta à Catalunha: João Almeida em mini-Giro contra Vingegaard e Evenepoel

A corrida espanhola de sete etapas tem perfil montanhoso e elenco de luxo. O português, que regressa após a Volta ao Algarve - e ter falhado o Paris-Nice -, enfrenta fortíssima concorrência. E não só do dinamarquês e do belga...

O cocktail explosivo entre a lista de inscritos de luxo e o perfil montanhoso de algumas etapas, com chegada no cume de subidas longas e seletivas, eleva a edição deste ano da Volta à Catalunha, com início na segunda-feira, ao estatuto de um autêntico mini-Giro e Tour, em versão comprimida de uma semana. 

Entre vasto leque de cabeças de cartaz, destacam-se Jonas Vingegaard e João Almeida em ensaio para duelo aprazado para a Volta a Itália, em maio, e Remco Evenepoel, o belga com os olhos a mais longa distância temporal, o Tour, onde tem embate marcado com o dinamarquês e com um tal de Tadej Pogacar, que é o único da elite de voltistas mundiais que estará ausente na corrida espanhola. 

João Almeida tem de ganhar mais de 44 segundos a Juan Ayuso e 37 a Paul Seixas

João Almeida tem palco ideal para testar a capacidade de se manter sempre entre os melhores e, à menor abertura, jogar a carta da resistência nos últimos dias. Segundo na Volta à Comunidade Valenciana atrás de Evenepoel e terceiro na Volta ao Algarve – batido pelo espanhol Juan Ayuso e o jovem prodígio francês Paul Seixas –, regressa ter abdicado da participação - que estava programada - no Paris-Nice, devido a doença após a Algarvia que lhe condicionou a preparação para a corrida francesa.

A expectativa sobre o desempenho do português é grande, pelo primeiro confronto com Vingegaard antes do Giro, onde tentará, enfim, conquistar a vitória à geral após o quarto lugar em 2020 e o terceiro em 2023. Para o corredor que lidera forte equipa da UAE Emirates - em que se incluem Brandon McNulty, Jay Vine, Marc Soler e o compatriota Ivo Oliveira - o momento é crucial na preparação da corsa rosa, será teste de fogo contra a capacidade do dinamarquês nas longas subidas catalãs.

Vingegaard chega como homem a bater, após ter dominado a concorrência no Paris-Nice – beneficiou da queda e abandono de Juan Ayuso, que se antevia como o principal oponente -, e com uma formação da Visma-Lease a Bike em que se realça o gregário de luxo em montanha, o norte-americano Sepp Kuss, indissociável das duas vitórias do nórdico no Tour e a do ano passado na Vuelta.

Remco Evenepoel encerra o triunvirato de grandes estrelas voltistas nas estradas catalãs. O belga começou a temporada em alta, com vitórias nos troféus montanhosos do Challenge de Maiorca e na geral da Volta à Comunidade Valenciana – batendo João Almeida, segundo classificado –, mas teve um tropeção (forte!) no UAE Tour, afundando-se na geral da Volta aos Emirados conquistada com classe por Isaac del Toro. O chefe de fila da Red Bull, que chega de um estágio em altitude em Tenerife, de onde estava com dificuldades em sair devido a um nevão, conta com gregários de qualidade na montanha, o alemão Florian Lipowitz e o australiano Jai Hindley, e pretende avaliar progressos em subidas extensas, frente a adversários de alto nível como Vingegaard e Almeida. 

O lote de outsiders é igualmente de respeito: o dinamarquês Mattias Skjelmose ao lado do italiano Giulio Ciccone na Lidl-Trek, o norte-americano Matthew Riccitello (Decathlon), o britânico Oscar Onley (Ineos) e o equatoriano Richard Carapaz (EF Education) são renomados trepadores e em crescendo de forma.

As 7 etapas da Volta à Catalunha 2026

Etapa 1 (dia 23): Sant Feliu de Guíxols - Sant Feliu de Guíxols (172,6 km)

Etapa 2 (dia 24): Figueres - Banyoles (167,4 km)

Etapa 3 (dia 25): Mont-roig Del Camp - Vila-seca (159,5 km)

Etapa 4 (dia 26): Mataró - Vallter (173 km)

Etapa 5 (dia 27): La Seu d'Urgell - La Molina (155,3 km)

Etapa 6 (dia 28) : Berga - Queralt (158,2 km)

Etapa 7 (dia 29): Barcelona - Barcelona (95,1 km)