Villas-Boas compara Tottenham ao FC Porto: «Quando enfrentámos instabilidade...»
André Villas-Boas, atual Presidente do FC Porto e antigo treinador do Tottenham entre junho de 2012 e dezembro 2013, falou sobre a instabilidade que se vive no clube inglês, que caiu para a zona de despromoção da Premier League e pode mesmo descer para o Championship.
Em entrevista ao Daily Mail Sport, AVB considera que a constante mudança de ideias e de treinadores ao longo dos últimos oito anos é a principal razão para o clube londrino estar agora nesta fase, apesar de ter vencido a UEFA Europa League na época passada, mostrando-se chocado com a situação.
Desde a sua saída em dezembro de 2013, o Tottenham já contratou nove treinadores permanentes, sendo Roberto De Zerbi o mais recente. Para Villas-Boas, esta sucessão de más decisões acabou por ter consequências graves. «É um verdadeiro choque. Em oito anos, tivemos métodos totalmente diferentes, formas de pensar totalmente diferentes, formas de implementar filosofias totalmente diferentes e, provavelmente, isso levou à instabilidade atual, que se soma à pressão de estar na zona de despromoção», afirmou.
O técnico português sublinhou a dificuldade da situação, referindo que a pressão de lutar para não descer «é incomparável». «Há clubes e jogadores com experiência nessas posições que conseguem salvar-se sempre. Mas há outros como o Tottenham que podem sentir dificuldades. É muito, muito difícil de ver», acrescentou.
Villas-Boas traçou um paralelo com a sua experiência recente no FC Porto para sublinhar a importância da estabilidade. O dirigente recordou que, após um primeiro ano de instabilidade financeira no clube, a aposta na continuidade do treinador, baseada não só nos resultados mas também na relação com a estrutura e na promoção de jovens, trouxe a estabilidade desejada.
«O que fizemos no FC Porto, por exemplo, quando enfrentámos instabilidade no primeiro ano, foi alcançar a estabilidade neste ano. Optámos por renovar o contrato do nosso treinador Farioli. Não só devido aos resultados, mas também pela relação que ele mantém com a estrutura. Por estrutura, entende-se as equipas de observação e as equipas de base, bem como a forma como ele promove os jovens jogadores que vão surgindo. Por isso, acreditamos na estabilidade para o futuro», afirmou.
«Oito treinadores em cinco anos não ajuda, porque são todos muito, muito diferentes uns dos outros, métodos diferentes, formas diferentes de selecionar jogadores, o que também leva à instabilidade», explicou. «Com o Tottenham, provavelmente nunca se teve isso em nenhum dos casos por causa da pressão dos resultados», atirou. «Mas mudaram de treinador, mudaram as estruturas de liderança, mudaram também os diretores desportivos, de [Franco] Baldini a [Fabio] Paratici e ao atual diretor desportivo [Johan Lange].»
Questionado sobre se Roberto De Zerbi, que perdeu o seu primeiro jogo no comando técnico frente ao Sunderland, poderá ser a solução a longo prazo, Villas-Boas foi pragmático. «De Zerbi tem de apresentar resultados», concluiu, notando, no entanto, que o contrato de longa duração do técnico italiano pode ser um sinal de que o clube reconheceu a necessidade de estabilidade. «É um contrato de longo prazo, de qualquer forma, por isso provavelmente descobriram que aquelas coisas que mencionei aqui [sobre a instabilidade de ideias], De Zerbi será capaz de lhes entregar.»