Especialista em arbitragem de A BOLA explica porque foi expulso o jogador do Viktoria Plzen

VAR bem no penálti e no vermelho? Pedro Henriques analisa o Plzen-FC Porto

O lance da grande penalidade e da expulsão foi o destaque de um jogo onde o árbitro falhou na gestão disciplinar

A nota do árbitro — Andris Treimanis (Letónia): 5

3’ — Sem penálti. Numa disputa de bola aérea entre Ladra e Froholdt há apenas contacto entre ambos quando saltam para o esférico. Não houve empurrão ou carga ilegal, razão pela qual não existe infração.

14’ — Merchas Doski esticou a perna esquerda e acabou por pisar o peito do pé direito de Martim Fernandes. Entrada fora de tempo, negligente, bem sancionada disciplinarmente com o amarelo.

30’ — Inconsequente. Borja Sainz, que ao receber o esférico já estava em desequilíbrio, deixa-se cair assim que sente o contacto de Souaré, que por momentos promove um ligeiro e inconsequente toque com a sua mão esquerda na zona lateral do tronco do extremo.

45' — Penálti. Após cabeceamento de Kiwior, a bola é intercetada pelo braço/mão direita de Matej Vydra, que fez movimento deliberado, quer do corpo quer do braço, para intercetar o esférico. Por isso, além do penálti, viu o cartão vermelho por impedir um golo.

48’ — Martim Fernandes cruza a bola quando esta, aparentemente, já tinha saído na totalidade. Seria pontapé de baliza, contudo, o árbitro e o assistente não viram e, ato contínuo, a bola que foi cruzada acaba por ser intercetada de forma deliberada pelo braço direito de Lukas Cerv, que tinha feito um tackle deslizante e levantou o braço acima da cabeça, em clara volumetria. O árbitro errou duplamente: deu pontapé de canto e era de baliza; não deu penálti, que era muito claro. O VAR não interveio de acordo com o protocolo e deveria ter tido o seguinte procedimento: informar o árbitro que havia penálti, mas que, antes, a bola tinha saído totalmente do terreno de jogo (falta provar com melhores imagens). Como estar fora das quatro linhas é situação factual, era só informar o árbitro, que não iria ao monitor. Aí, recomeçava com pontapé de baliza, mas informava publicamente da situação, dizendo que, antes do penálti, a bola saiu e o jogo recomeça com pontapé de baliza.

61’ — Faltou mostrar amarelo a Martim Fernandes, que chegou tarde e pisa de sola o peito do pé direito de Prince Adu. Entrada negligente e passível de sanção.

Positivo
A intervenção do VAR em lance com muito impacto no jogo: penálti e vermelho direto. Poucas faltas (23).

70’ — Cartão amarelo mostrado a Bednarek por deixar o braço esquerdo para trás e acertar no rosto de Tomás Ladra. Infração enquadrada na negligência, bem sancionada disciplinarmente.

71’ — Cartão amarelo mostrado a Prince Adu por, ao fazer o lançamento, deixar a bola no chão para o colega. O árbitro entendeu que o avançado ganês retardou o reinício de jogo e advertiu-o, de forma correta.

74’ — Pablo Rosario vê amarelo, não pela falta que fez sobre Prince Adu, mas sim por não concordar e protestar com o árbitro, que assinalou a infração.

Negativo
Jogo pouco conseguido na forma como geriu os amarelos, demasiados cartões por eventuais protestos.

81’ — Sem penálti. Deniz Gul está a ser marcado por trás por Lukas Cerv, fica a ideia de haver apenas contacto, mas uma eventual falta (rasteira) seria no pé esquerdo do avançado turco dos dragões. Esse pé esquerdo estava fora da área, portanto, não havia motivo para pontapé de penálti.

85’ — Braço evidente. Golo bem anulado a Francisco Moura, porque no momento antes do remate Samu abre o braço esquerdo e toca, domina e controla a bola com o mesmo. Infração atacante bem sancionada, por toque deliberado de braço na bola do avançado espanhol.

85’ — Cartão amarelo mostrado a Kiwior por protestar com o árbitro após este anular o golo aos dragões.

90’+4’ — Há infração atacante, que o árbitro assinalou de forma correta. Foi Victor Froholdt que, ao armar o pontapé na bola já no interior da área dos checos, acertou/pontapeou com o pé direito o pé esquerdo de Merchas Doski.