Valério vestiu capa de herói após grande camada de nervos (crónica)
O Sporting volta a escrever a letras de ouro o nome do clube no livro da história da Champions do futsal ao igual os espanhóis do Inter Movistar, garantindo a oitava presença na final da prova, tendo sido campeão em 2019 e 2021 e finalista vencido em 2011, 2017, 2018, 2022 e 2023.
Diante do Cartagena, bicampeão espanhol, que pela segunda vez se vê nestas andanças — os leões participam pela 13.ª vez (número recorde), 12 no formato pós-2006/2007 e, antes, como anfitrião da fase final com oito equipas que encerrou a campanha inaugural de 2001/2002 — o Sporting desde cedo assumiu as rédeas do jogo: três remates nos primeiros seis segundos (sim, leu bem), com Chemi a fechar a baliza do Cartagena com mestria, aliás, diga-se que o guardião foi mesmo a estrela da companhia para desespero dos leões.
Ao minuto 12 aplicou-se uma das expressões mais utilizadas na giria: 'quem não marca, sofre'. O Sporting ainda pediu falta no começo da jogada, depois de Tomás Paçó e Waltinho terem chocado, mas o árbitro nada assinalou e o ex-leão colocou a bola dentro da baliza deserta. Um golo que abalou, ainda que o foco estivesse na baliza do Cartagena, mas volvidos meia dúzia de minutos, balde de água fria: Gonzalo Castejón investiu pela direita, cruzou ao segundo poste, Francisco Cortés ultrapassou Chishkala, e assinou o segundo. Nuno Dias pediu imediatamente pausa técnica para reagrupar os seus homens e deixou mensagem clara: «Se sofrermos o terceiro estamos fora!»
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Guardião saiu de maca
Na segunda parte o Sporting entrou prego a fundo, sempre junto da área dos espanhóis e Zicky Té fez o que estava difícil: após assistência primorosa de Diogo Santos, 'sentou' Darío Gil com simulação corporal, e assinou o primeiro dos leões.
Após o golo Chemi ficou no chão, num lance em que se lesionou sozinho, agarrado ao joelho direito. O guardião foi assistido, mas acabou por sair de maca, sem esconder as lágrimas.
Estava dado mote, mas a bola teimava em não entrar, Bruno Pinto ainda acertou no poste antes de Felipe Valério assinar o empate, na sequência de um pontapé de canto, cobrado por Wesley.
Na meia hora de prolongamento um golo para cada lado, com o Sporting a conseguir marcar primeiro, por intermédio de Tomás Paçó, mas a vantagem só durou um minuto, com o Cartagena a lucrar numa fase em que apostou no 5x4 e Castejón finalizou.
Diga-se que o 3-3 foi extremamente penalizador para o Sporting que fez 74 remates, 41 dos quais enquadrados, contra 21 dos espanhóis, em que apenas oito foram à baliza.
Seguiu-se o desempate através de grandes penalidades. Nas bancadas roíam-se unhas e na quadra os nervos estavam à flor da pele. 5-5 e, na morte súbita, Gonçalo Portugal defendeu remate de Osamanmusa, com Felipe Valério a vestir a capa de herói ao converter o penálti que conduziu o Sporting à final.
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Que delícia é vê-lo em ação (e não está a cem por cento fisicamente). É um pivot diferenciado, com visão de jogo, posicionamento e capacidade incrível para ludibriar o adversário só com movimento corporal (Darío Gil foi um mártir) . Marcou o primeiro golos dos leões, fulcral para reviravolta.
Neste momento joga-se o outro jogo do play-off, entre os espanhóis do Palma e os franceses do Étoile Lavalloise, sendo que o vencedor defronta o Sporting na final, agenda para as 17h00 de domingo, no Pesaro Arena, sendo que antes, às 14h00, joga-se para o 3.º e 4.º lugares.
Nuno Dias (treinador do Sporting)
Felipe Valério (jogador do Sporting)
Tomás Paçó (jogador do Sporting)
Notícia atualizada às 20h15.