Abel Ferreira está no Palmeiras desde outubro de 2020
Abel Ferreira está no Palmeiras desde outubro de 2020

Vai ter penta no Brasileirão

JAM sessions é o espaço de opinião de João Almeida Moreira, jornalista e correspondente de A BOLA no Brasil

Não, este texto não pretende garantir que Cruzeiro, Vasco da Gama e Fluminense, os três atuais tetras, superados só por Palmeiras, Santos, Flamengo, Corinthians ou São Paulo em número de conquistas, vão ser campeões do Brasil.

Nem que Éverton Ribeiro, hoje no Bahia, Dudu, jogador do Atlético Mineiro, ou Tchê Tchê, médio do Vasco, os três jogadores tetracampeões em atividade na Série A, longe ainda assim das glórias santistas Pelé, Lima e Pepe, todos hexa, vão conquistar o Brasileirão. O penta de que se trata aqui tem a ver com Portugal.

Se cruzarmos os inquéritos aos adeptos realizados no início da competição e a opinião da maioria dos observadores e dos analistas com as probabilidades avançadas pelas casas de apostas, chegamos à conclusão que 38,5% acreditavam que o Flamengo seria o principal candidato à revalidação do título; outros 38,5, por sua vez, viam o Palmeiras, vice em 2025, como o campeão deste ano; 15,4% arriscavam o nome do Cruzeiro, terceiro no ano passado mas, por agora, em último da tabela; e cerca de 3% falavam no Grêmio.

Ou seja, se somarmos Fla, Verdão, Raposa e Tricolor Gaúcho, chegamos a 95,4%, de acordo com os adeptos, os observadores, os analistas, os apostadores. Logo, há fortíssimas possibilidades de ter penta no Brasileirão: pela quinta vez, um treinador português deve consagrar-se em dezembro o campeão do país.

No início da temporada — leia-se ano civil — eram pouco mais de 40% porque só Abel Ferreira, no favorito Palmeiras, e Luís Castro, no muito outsider Grêmio, representavam as cores nacionais no Brasileirão. Porém, nas últimas semanas, o outro super-candidato Flamengo e um dos mais consistentes outsiders apesar do começo desastroso, o Cruzeiro, também trocaram os respetivos professores brasileiros, Filipe Luís e Tite, por misters portugueses, Leonardo Jardim e Artur Jorge.

E, com isso, há então perto de 100% de hipóteses do tal quinto título porque São Paulo, Fluminense e Bahia, os que mais se aproximam por ora do topo da classificação, não parecem ter fôlego suficiente para a luta de 38 jornadas e fazer frente aos candidatíssimos Flamengo e Palmeiras.

Se um treinador português vencer então o Brasileirão 2026, vai ser a quinta conquista em oito anos. Jorge Jesus abriu as portas, pelo Mengão, em 2019, Abel fez o bis em 2022 e 2023, e o regressado Artur Jorge ganhou em 2024.

Além, claro, dos brasileiros, só esses portugueses levantaram a taça em 70 edições do Brasileirão — ou seus antecessores e equivalentes. A exceção foi o argentino Carlos Volante que treinou o campeão Bahia, mas apenas no jogo final da edição de 1959. De 2019 para cá a prova virou uma espécie de luso-brasileirão.