«Estádio José Alvalade está cada vez mais transformado num espetáculo de luzes e entretenimento, onde muitos sentem que o ambiente e a alma leonina se estão a perder»  — Foto: A BOLA
«Estádio José Alvalade está cada vez mais transformado num espetáculo de luzes e entretenimento, onde muitos sentem que o ambiente e a alma leonina se estão a perder» — Foto: A BOLA

Uma votação forte para garantir a voz dos sportinguistas

'Tribuna Livre' é um espaço de opinião em A BOLA aberto ao exterior, este da responsabilidade de Bruno Sá, candidato à presidência do Sporting Clube de Portugal. Sócio n.º 10.626

Sportinguistas,

a campanha está a chegar ao fim. Têm sido dias de grande emoção desde que decidi avançar com a minha candidatura à Presidência do Sporting Clube de Portugal. Ao longo das últimas semanas percorri o país de norte a sul, visitei Núcleos, falei com milhares de Sportinguistas, ouvi histórias, preocupações, críticas e também esperança. Houve algo que senti em todo o lado: os sportinguistas querem voltar a fazer parte do Sporting.

Vivi momentos que nunca esquecerei. Conversas sinceras com Sócios e Adeptos de todas as idades e regiões, todos com o mesmo amor pelo Clube. E, nesses encontros, pensei muitas vezes no meu pai, que perdi em dezembro. Imagino muitas vezes o orgulho que teria em ver-me nesta luta por um dos grandes amores da nossa vida: o Sporting Clube de Portugal. Entre a partida do meu pai e a doença da minha mãe, foram também os sportinguistas que me deram força para continuar. O carinho que recebi nos Núcleos reforçou a minha convicção de que esta candidatura fazia sentido.

Ganhar não pode significar afastar os sócios da vida da Clube. Hoje, muitos sentem distância nas decisões, falta de transparência, diálogo e respeito por quem sempre esteve presente. Os exemplos estão à vista: um site que falha quando os sócios tentam comprar bilhetes; critérios de bilhética que privilegiam cada vez menos quem está mais presente; um estádio cada vez mais transformado num espetáculo de luzes e entretenimento, onde muitos sentem que o ambiente e a alma leonina se estão a perder. Querem vender-nos a ideia de que agora somos um hub de entretenimento. Mas somos mais, muito mais do que isso. Somos um clube desportivo. Somos o grande Sporting Clube de Portugal.

Durante esta campanha ouvi frases que ficam na memória. Um Sócio disse-me:

«Não me tiraram o amor, mas tiraram-me a paixão.» Outro, com décadas de ligação, contou-me emocionado que já não consegue um bilhete para ver o Sporting. Atualmente, a prioridade parece ser o sonho americano de clientes do We Are Our Legacy, que passam à frente de quem sempre apoiou a equipa com base no nosso lema eterno: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Mas o desporto não é um negócio qualquer. Vive de paixão, emoção e pertença. Mesmo em Ligas altamente comercializadas, como a inglesa, muitos clubes estão a regressar à consciência do que é essencial: voltar à base, recuperar lugares em pé nos estádios e trazer de volta a identidade. Perceberam algo simples: sem adeptos apaixonados, o futebol perde a alma. Infelizmente, no Sporting, parece estar a acontecer o contrário. Em vez de aproximar quem vive o clube com emoção, privilegia-se cada vez mais o cliente.

E por isso pergunto: para onde caminhamos? A história do Sporting ensina-nos que foi muitas vezes em momentos de vitória que deixámos passar decisões que depois se revelaram prejudiciais, como a venda de património. O passivo cresce, a dívida a fornecedores aumenta e os Sócios continuam sem explicações claras sobre o rumo financeiro do clube. Assistimos a negócios difíceis de compreender, como a exploração do parque de estacionamento por seis milhões de euros durante trinta e cinco anos. Ao mesmo tempo, um presidente aumenta o próprio salário sem ouvir os Sócios — sendo uma dessas vezes depois de um despedimento coletivo e sem nada ter conquistado — e discute cêntimos com atletas das modalidades que tanto dão ao Clube.

Decidi avançar com esta candidatura porque acredito que o Sporting precisa de voltar à sua essência: reunir a grande família sportinguista e colocar novamente os Sócios no centro da vida do clube. É possível continuar a ganhar e tratar bem as pessoas.

E é por isso que, no próximo sábado, os Sócios têm uma escolha importante. Naturalmente, quero ganhar, liderar esta mudança e devolver o Sporting às pessoas. Mas também quero dizer algo com total clareza: é muito importante que esta candidatura tenha uma votação forte. Porque, independentemente do resultado, haverá uma voz firme a defender os sócios, a garantir transparência e democracia. Fiz aquilo que a minha consciência pediu. Dei a cara. Dei o peito. Apresentei uma equipa preparada e um programa sério para o futuro do clube.

Agora peço-vos apenas uma coisa: participem. Vão votar. Façam ouvir a nossa voz. Porque o Sporting precisa de todos. E eu nunca vos deixarei.