Thiago Silva
Thiago Silva

Thiago Silva: do «seu cantinho» à «voz de comando», com uma 'bomba' pelo meio

Experiente central aponta ao onze portista para o clássico da Taça de Portugal. Fábio Espinho jogou com ele na equipa B, em 2004, e recorda «enorme qualidade»... sempre «no seu mundo». 'Pontapé-canhão' chegou a fazer estragos

O destino de Thiago Silva está prestes a cumprir-se. Na quarta-feira, mais de 21 anos depois do último jogo pelo FC Porto B, o central brasileiro deverá fazer a tão desejada estreia pela equipa principal dos dragões... e logo como titular. Francisco Moura não deve recuperar a tempo de defrontar o Benfica e, anteontem, o novo camisola 3 já foi testado no onze, ao lado de Bednarek, desviando Kiwior para o corredor esquerdo. Uma meta que o experiente internacional canarinho traçou ainda em 2004 e que ficou duas décadas na forja, com as voltas do futebol (e da vida) a baralharem o plano do jogador.

Mas quem conviveu de perto com Thiago nessa altura já notava algo de diferente no então jovem defesa. «Recordo-me perfeitamente da qualidade dele, tanto a nível futebolístico como humano. Já toda a gente falava dele, mas passou por uma fase de maturação na equipa B para depois dar o salto para o plantel principal. Acabou por não acontecer, mas o FC Porto tinha acabado de ser campeão europeu. Mas havia ali uma qualidade enorme, que acabou por demonstrar ao longo de toda a sua carreira», relata, a A BOLA, Fábio Espinho, que coincidiu com o multititulado central na equipa B azul e branca, então treinada por Domingos Paciência.

No balneário, porém, Thiago Silva era (muito) pouco expansivo. «Ele era, de facto, alguém fechado, que parecia estar sempre no mundo dele. Isso pode ter prejudicado um pouco a integração inicial. Era muito reservado, muito no seu cantinho», recorda o antigo médio, sem esquecer o pontapé-canhão do ex-colega. «Estávamos na II Divisão B e houve um jogo em que o Thiago se encarregou de marcar um livre frontal. Ele já vinha referenciado do Brasil por bater muito forte na bola. Naquela situação, ele rematou com tanta força que a bola bateu na cara de um adversário, que teve mesmo de ser transportado para o hospital!», lembra Fábio Espinho, que, após ter deixado o Aves SAD na presente temporada — chegou a assumir o comando ante o Benfica —, está agora a tirar o curso UEFA A (nível 3), com o intuito de se lançar como «treinador principal».

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Pegando justamente por essa visão, A BOLA desafiou o técnico a perspetivar o papel de Thiago Silva no FC Porto atual. «O FC Porto tenta sempre ter referências no plantel. A contratação do Thiago faz todo o sentido nesse aspeto. Ganhou tudo, exceto o Mundial, e por onde passou foi capitão. Vemos este FC Porto como uma equipa que está muito bem, confiante, com um treinador de ideias vincadas, mas talvez falte ali uma voz de comando para os momentos difíceis. Se surgir um mau momento, é fundamental ter jogadores com este arcaboiço e experiência. Vem para dar isso e, claro, pela qualidade que tem», detalha Fábio Espinho, que deixa, ainda assim, uma ressalva. «Importa recordar o que aconteceu com o regresso do Pepe. O FC Porto era sólido com Militão e Felipe e depois... E digo isto sem beliscar a qualidade do Pepe, atenção. Não acredito que o Thiago venha para ser titular absoluto, mas vai ser uma peça fundamental no balneário e na rotação», remata. No entanto, também por força da necessidade, tudo indica que Thiago vai mesmo começar no onze...

Duelos passados frente ao duo polaco

Três dos quatro centrais que Francesco Farioli tem à disposição passaram pela Premier League, prova na qual chegaram a defrontar-se. Thiago Silva, a mais recente adição ao lote de opções para o eixo recuado, travou duelos tanto com Bednarek como com Kiwior, mas só saiu a sorrir contra o... primeiro. Na época 2021/22, o internacional brasileiro representava o Chelsea e Jan estava ao serviço do Southampton. Ambos foram titulares nos dois duelos entre blues e saints, com um saldo demolidor a favor dos londrinos e de Thiago: 3-1 na primeira volta e 6-0 na segunda.

Contudo, Bednarek seria vingado na temporada seguinte pelo compatriota. Em 2022/23, Kiwior esteve no onze do Arsenal que bateu o Chelsea por 3-1, novamente com o canarinho a titular. E esse jogo (também) ficou marcado por uma curiosa particularidade: Thiago Silva negou um golo ao polaco com um corte fantástico em cima da linha! Agora, os dois remam para o mesmo lado.