Uma imagem recorrente na época do Sporting - Foto: IMAGO
Uma imagem recorrente na época do Sporting - Foto: IMAGO

Sporting: não pode ser só azar

Pela segunda época consecutiva, Rui Borges vê a equipa completamente arrasada por lesões e cansaço. Resistência no Dragão foi heróica, mas é preciso perceber o que se passa

Só uma hecatombe muito improvável impossibilitará o FC Porto de fazer a festa do título de campeão nos Aliados e pouco haverá a dizer sobre a justiça desse feito. Uma primeira volta a roçar a perfeição, na qual só o Benfica ousou tirar pontos no 0-0 do Dragão, lançou a equipa de Francesco Farioli e será uma questão de tempo até que a matemática confirme o título, mas a verdade é que, quando for analisada em retrospetiva, a temporada azul e branca poderá saber a pouco.

Duvido que tão cedo os dragões tenham uma chance tão boa para chegar a uma meia-final europeia — sim, é a Liga Europa, mas não deixa de o ser... — como a de ultrapassar uma equipa que luta para se manter na Premier League, ou voltem a apanhar um Sporting tão exausto como o que se aguentou, anteontem, agarrado ao nulo no Dragão para selar a ida ao Jamor.

Numa semana, o FC Porto teve dois match points e falhou em ambos: nota-se que à equipa falta poder de fogo e um 9 que faça a diferença, mas, a bem da verdade, aqui a sorte também não quis nada com o FC Porto: o que seria das épocas de Sporting e Benfica sem Suárez e Ioannidis e Pavlidis e Ivanovic ao mesmo tempo? Deniz Gul e Moffi são esforçados, mas curtos para materializar o caudal ofensivo que um grande tem em Portugal.

Se os problemas físicos tiraram Samu e De Jong a Farioli, a Rui Borges arrasaram a equipa, num filme repetido de 2024/25, em que várias vezes foi necessário remendar recorrendo à equipa B. Até ao jogo no Dragão, só João Virgínia, Vagiannidis, Hjulmand, Trincão, Faye, Nel e Suárez não tinham sido baixa por lesão e, como se sabe, a dura entrada de Gabri Veiga pode ter acabado com a época ao fundamental dinamarquês. Sobram seis, um deles o guarda-redes suplente, como aqueles que se mantiveram toda a época 100% disponíveis para o técnico.

O que teria sido da temporada do leão com Debast, Nuno Santos, Pedro Gonçalves e Ioannidis no baralho a tempo inteiro? Há lesões impossíveis de evitar, é certo, mas os números são esmagadores e não surpreende que Maxi Araújo, Trincão, Suárez ou Inácio estejam de rastos na fase decisiva da temporada. E, no caso destes quatro, ainda terão o Mundial pela frente antes das férias. É dose

Rui Borges não está isento de culpas na perda de gás no último terço e tem de ganhar a final da Taça para que, apesar do tremendo sucesso na Champions, a época não seja um falhanço, mas, até a um tempo não muito distante, o Sporting, num contexto tão difícil, teria desmoronado como um castelo de cartas. É esse um dos grandes legados da era Varandas.