Deniz Gul em duelo com Trincão, mas foi Diomande quem o 'tirou' do clássico - Foto: Imago
Deniz Gul em duelo com Trincão, mas foi Diomande quem o 'tirou' do clássico - Foto: Imago

Clássico acentuou as saudades de Samu e Farioli vai fazendo milagres…

Duelo com os leões expôs as fragilidades das duas referências de ataque que sobraram aos dragões depois das lesões do espanhol e de De Jong. Deniz Gul leva 18 jogos sem marcar, Moffi até podia ter sido herói contra o Sporting, mas ficou pela promessa

Há uma convicção praticamente transversal no universo portista: Francesco Farioli tem multiplicado soluções e escondido fragilidades no ataque do FC Porto desde que perdeu, primeiro, Luuk de Jong e, depois, Samu. Num cenário destes, o treinador italiano foi obrigado a reinventar a equipa, a redistribuir responsabilidades e a encontrar respostas onde o plantel parecia já não as ter, sem que isso o impedisse de manter o FC Porto competitivo até ao último suspiro da temporada.

O clássico com o Sporting, na segunda mão da meia-final da Taça, foi o espelho mais recente dessa capacidade de resistência. Terem Moffi, lançado apenas nos derradeiros 20 minutos, podia ter saído do encontro como protagonista: praticamente no último instante, obrigou Rui Silva a uma defesa de recurso para negar o golo que teria levado a eliminatória para prolongamento e mantido viva a hipótese de reviravolta portista, ainda que em inferioridade numérica.

Mas, no outro extremo do ataque, persiste um caso quase paradoxal: Deniz Gul. Autor de uma assistência importante para o golo de Gabri Veiga frente ao Tondela, o internacional turco continua sem encontrar uma relação estável com as balizas adversárias e soma agora 18 jogos consecutivos sem marcar, apesar de gozar de mais minutos. O último golo remonta a 22 de janeiro, frente ao Viktoria Plzen, na Liga Europa, e, no campeonato, é preciso recuar a 27 de outubro e ao golo decisivo em Moreira de Cónegos (2-1), para encontrar a sua última assinatura no marcador.

A comparação com Samu é inevitável e ainda mais cruel. O avançado espanhol era o grande abono de família do FC Porto, com 20 golos e uma assistência em todas as competições, 13 dos quais na Liga, quando a lesão o tirou da equipa ao intervalo do clássico de 10 de fevereiro com o Sporting, no Dragão, após uma entorse no joelho direito que viria a confirmar-se como rutura do ligamento cruzado anterior. Com média superior a 0,7 golos por jogo, era o homem mais influente do ataque azul e branco.

Também Luuk de Jong chegou a oferecer uma solução, ainda que efémera e marcada pela infelicidade. O neerlandês, recrutado no verão de 2025, deixou o Dragão com apenas 1 golo em seis jogos oficiais, antes de duas lesões consecutivas e uma operação o afastarem de forma decisiva da equipa.

Frente ao Sporting, Deniz Gul teve uma participação discreta no plano ofensivo, somando apenas dois remates, um para fora e outro bloqueado, sem qualquer tentativa enquadrada. Muito acossado por Diomande, tocou apenas 10 vezes na bola e revelou dificuldades em envolver-se no jogo, sem conseguir criar ocasiões nem explorar o drible. No passe, apresentou uma eficácia aceitável (3 em 4, 75%), ainda que com ação pouco progressiva e quase sempre para trás. Defensivamente, venceu apenas um dos sete duelos disputados e foi ultrapassado em duas ocasiões no um para um, num registo global de baixa influência no clássico.

Terem Moffi entrou a 20 minutos do fim e, ainda assim, foi o jogador do FC Porto que mais perto esteve de marcar no derradeiro lance, quando respondeu a um canto com um cabeceamento poderoso travado por uma defesa extraordinária de Rui Silva. Em pouco tempo de utilização, somou dois remates, um deles enquadrado, e sete toques na bola, deixando a sua marca no momento mais perigoso dos dragões na partida.

Apesar da escassa participação, o internacional nigeriano mostrou alguma eficácia no pouco que fez: acertou três dos quatro passes, venceu três dos cinco duelos e ganhou dois dos três duelos aéreos, números que ajudam a enquadrar a sua presença forte na jogada decisiva. Fechou ainda o clássico com um remate para fora e apenas uma perda de posse, num registo curto, mas relevante pela oportunidade criada ao cair do pano.

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