Sofia Silva, capitã da Seleção Nacional de basquetebol feminino já está em casa. Foto FPB
Sofia Silva, capitã da Seleção Nacional de basquetebol feminino já está em casa. Foto FPB

Sofia da Silva, capitã da Seleção, pagou do bolso a fuga de Israel

A internacional portuguesa viveu quatro dias do conflito e o último foi o pior em termos de ataques. Depois de nove horas de carro, entre controlos policiais e sirenes que anunciavam as ameaças permanentes, pagou o bilhete do seu bolso e voltou a casa

Sofia da Silva, a capitã da Seleção Nacional de basquetebol, mudou-se de armas e bagagens para Israel em outubro para nova aventura fora de portas, desta vez Maccabi Karmiel. Mas a poste portuguesa mal sabia o que teria de viver, cinco meses depois da transferência.

«Era residente em Israel desde Outubro, consegui sair via terrestre com a ajuda do meu clube, mas creio que ainda é possível», diz a internacional lusa. «Não sei se há mais portugueses saíram de Israel, mas sei que há tentativas através da embaixada para o fazer, eu mesma tentei mas obtive resposta tardia.», esclarece Sofia da Silva.

«Houve duas colegas de profissão da equipa Maccabi Haifa que saíram na segunda feira. Através de uma delas, Betty Manunga, obtive informações e contactei o meu clube esse mesmo dia. Apenas tive que preencher um formulário do visto via terreste para entrar no Egito, pago por mim. Viajámos, eu e uma colega de equipa norte americana, desde Carmiel em Israel até à fronteira de Taba, Egipto», conta a jogadora de Coimbra.

«Em Taba, estava um senhor, em contacto com o clube, à nossa espera, que agilizaria a nossa entrada em em Taba com tema de boarding control, que o clube pagou e creio que custou cerca de 33 euros. Já em Taba apanhámos outro mini bus que demorou cerca de 4h a levar-nos ao aeroporto de Sharm El Sheikh International Airport. Este percurso teve umas seis paragens policiais apenas para verificar quem passava pela zona de caminho ao aeroporto ou outros locais! Desde esse aeroporto apanhei voo até Istambul, e depois de quatro horas de espera, finalmente um voo até Portugal. Cheguei de noite, na quarta feira», relata a internacional lusa.

Sofia da Silva pagou do seu bolso o voo de mil euros, mas nem hesitou.

«Eu encontrava-me no sul de Israel - tivemos de ir assistir obrigatoriamente o All star feminino este ano apenas para jogadoras israelitas. Despertei as 8h da manhã de sábado com o alerta da primeira sirene e tivemos de ir para um bunker do apartamento que nos encontrávamos. Depois viajámos de carro até Carmiel e a casa donde eu vivia com uma colega de equipa tinha um bunker também. Houve vários alertas entre sábado e domingo, e sempre que acontecia tinhamos de ir para o quarto de abrigo», recorda.

«Ouvi várias explosões que seriam certamente intercepções de mísseis. Levei com calma e tranquilidade, na verdade, medo tive, claro, sobretudo, mais preocupação pelos meus pais e a minha irmã que viviam a situação de fora», conta a atleta de 35 anos.

«A zona norte foi afetada, Haifa que está perto, atingida no fim de semana, mas as zonas maisa críticaa do país são Tel aviv, Jerusalém e Petah Tkiva. Tinha colegas de outras equipas iam informado sobre a situação do Sul do país. É um momento invulgar de se viver mas é verdade que viver no middle east tem sempre esta possibilidade. Da minha experiência posso dizer que a pior noite foi a anterior à viagem, de domingo para segunda, uma vez que não houve uma sirene que tocasse o dia todo e, justamente, a partir da meia noite houve vários bombardeamento sentidos na minha área», relata.

Ainda assim, conseguiu partir. «O percurso foi de ansiedade, porque há controlos e quando tocam as sirenas temos de evacuar os carros. Depois, claro, são os bombardeamentos e tantos postos de controlo que não sabemos se vamos conseguir passar em todos». Passou e já está em casa sã e salva.