Não houve cumprimentos antes do Israel-Irlanda
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Selecionador da Irlanda defende jogadores: «Nos tempos difíceis é que se encontram os líderes»

Hallgrimsson reage ao jogo com Israel e como o grupo geriu a tensão do encontro que este em risco de não acontecer

O selecionador da República da Irlanda, Heimir Hallgrimsson, elogiou o caráter da sua equipa após uma vitória por 3-0 sobre Israel, num encontro controverso em Debrecen, na Hungria, afirmando que alguns dos comentários dirigidos ao grupo nos últimos dias foram longe demais.

O encontro esteve em risco de não se realizar, mas avançou apesar de boicote do guardião Gavin Bazanu e ficou marcada por protestos, desde a falta de cumprimentos iniciais até aos festejos dos golos. Os irlandeses baixaram a cabeça no hino israelita e usaram fumos negros

Golos na primeira parte de Troy Parrott, Adam Idah e Jack Moylan permitiram à República da Irlanda recuperar da derrota frente ao Kosovo, em Pristina, e superar Israel com uma surpreendente facilidade

Após meses de protestos e apelos ao boicote, os jogadores votaram finalmente pela realização da partida, depois da,desistência de última hora de Bazunu, que levou a um debate de quatro horas no sábado.

«Nos tempos difíceis, é que se encontram os líderes, é onde as personalidades se destacam. Foram tempos difíceis para eles, e penso que todos os que viram o jogo viram irlandeses orgulhosos a lutar pela sua nação. Penso que mostraram o quanto isto significa para eles, não só jogar pela Irlanda, mas ter um bom desempenho esta noite sob circunstâncias difíceis e com uma má preparação. Só por serem capazes de fazer isso, estou muito orgulhoso deles», afirmou Hallgrimsson ao canal RTÉ Sport.

A equipa inicial apresentou cinco alterações em relação à que perdeu no Kosovo, com Liam Scales e Finn Azaz a ficarem de fora. A participação de Azaz tinha sido alvo de comentários devido à sua ascendência israelita por parte da mãe e à tensão entre as duas nações.

Hallgrimsson garantiu que a equipa foi escolhida com base em quem estava «mais preparado» e expressou o seu orgulho na atitude de Azaz. «Foi difícil para o Finn, e agradeço-lhe imenso. O desejo que ele mostrou em permanecer no estágio, apesar de tudo, o desejo que ele mostrou em fazer parte desta equipa... não tenho vocabulário suficiente em inglês para dizer o quão orgulhoso estou deste miúdo», confessou, acrescentando: «É impressionante que todos eles, nestas circunstâncias, joguem assim, com a energia que tiveram durante todo o jogo.»

Bazunu bem-vindo

O selecionador irlandês sublinhou que Gavin Bazunu, cuja ausência foi notícia a nível mundial, continua a fazer parte do grupo e será sempre bem-vindo de volta. «Enviámos-lhe uma mensagem logo após o jogo, ele é um de nós. Ele ganhou o jogo connosco, apoiámos a sua decisão e esperamos que ele continue connosco», disse Hallgrimsson, confiante na reunificação do plantel após as divisões do fim de semana.

«Acho que [o plantel] pode ser reunido, obviamente foi apenas uma questão de timing, não tivemos nada contra a sua decisão. Claro que teria sido mais fácil se tivesse sido mais cedo. Normalmente, os jogadores sempre tomaram as suas decisões em conjunto. Foi a primeira vez que houve uma divisão e isso deixou muitas pessoas desconfortáveis. No final, decidiram manter-se unidos e jogar», explicou.

O técnico defendeu os seus jogadores das críticas, afirmando que, embora respeitem o direito ao protesto, a situação foi longe demais quando começou a afetar os atletas e as suas famílias. «Sempre respeitámos as opiniões das pessoas e os protestos. Mas quando começa a afetar os jogadores que representam o país, e as suas famílias, acho que é ir um pouco longe demais e precisamos de proteger os jogadores», concluiu, realçando que os atletas já tinham contribuído para a sensibilização da causa a nível mundial.

Hallgrimsson alertou ainda para as possíveis consequências negativas para o futebol irlandês caso a equipa não tivesse comparecido ao jogo. «Acho que os danos para o futebol irlandês, se não tivéssemos jogado, poderiam ter sido graves. O que ouvimos que poderia acontecer poderia ter prejudicado os Europeus e as nossas competições no futuro, talvez as equipas da Liga da Irlanda na Europa. Pelo menos, havia um risco.»

Ataque do Ministro dos Negócios Estrangeiros israelita

De Tel Aviv, uma mensagem dura ainda antes do jogo. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Sa'ar, recordou numa publicação na plataforma X a neutralidade da Irlanda na Segunda Guerra Mundial e um jogo contra o Reich alemão em 1939, antes do qual a equipa irlandesa da época fez a saudação hitleriana – e acusou os irlandeses de estarem agora «do lado do terrorismo palestiniano» e do «jihadismo».

«Em maio de 1939, a seleção nacional de futebol da Irlanda viajou para Bremen para um jogo contra a seleção alemã. Para “honrar os anfitriões”, os jogadores irlandeses levantaram-se antes do início do jogo e fizeram a saudação nazi enquanto o hino alemão “Deutschland über alles” era entoado. Durante a Segunda Guerra Mundial, a consciência irlandesa desapareceu, e a Irlanda optou por manter a “neutralidade” entre o bem e o mal. Em 1945, quando o mundo já sabia muito bem o que tinha acontecido, o primeiro-ministro irlandês Éamon de Valera considerou apropriado visitar o representante da Alemanha na Irlanda para apresentar as suas condolências pela morte de Hitler. E hoje – mais um jogo de futebol. Desta vez contra a seleção israelita. Mais uma vez, a famosa consciência irlandesa faz a sua aparição e entra em campo. Passaram quase 90 anos. O talento único da Irlanda para estar do lado errado da história permanece intacto. Naquela altura, fizeram a saudação nazi. Desta vez, estão do lado do terrorismo palestiniano. Acima das braçadeiras pretas que os jogadores irlandeses usarão esta noite, flutua a bandeira negra do jihadismo.

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