Mais uma grande exibição do jovem norueguês

Schjelderup a tempo inteiro numa equipa em ‘part-time' (as notas do Benfica)

Acordou tarde o Benfica, a quem as substituições fizeram muito bem. Depois de gritante falta de entrosamento durante uma hora, os encarnados ganharam lucidez na reta final, aceitaram o risco que o contra-ataque do FC Porto representava, e até podiam ter ganho a partida. Invencíveis ainda, mas com o ‘39’ longe demais...
Melhor em campo: Andreas Schjelderup, 7
O jovem norueguês, que luz na camisola o número da sua idade (21), além de ter marcado o golo do 1-2, mostrando faro pela baliza ao ser o primeiro a perceber para onde o poste direito da baliza de Diogo Costa ia desviar o remate de Lukebakio, foi o benfiquista com rendimento mais constante ao longo dos 90 minutos (ele, que apenas uma vez não tinha sido substituído...), criando inúmeras dificuldades a Alberto Costa, especialmente na parte final do encontro. Foi travado em faltas para amarelo (que o árbitro exibiu), por William Gomes e Alberto, e tanto nas vezes em que procurou a linha como quando se decidiu pelo jogo interior revelou sempre grande concentração e lucidez. Ficou na retina a execução de um livre direto, aos 27 minutos, com a bola a passar muito perto do ângulo superior direito da baliza portista. 

Trubin (5) — Podia ter feito mais no golo de Froholdt? Francamente, creio que sim. O remate, embora desferido relativamente perto, saiu fraco e à figura, e a bola devia ter ‘morrido’ nas mãos do ucraniano. Tal não sucedeu e o médio portista faturou na recarga. Sem qualquer hipótese no 0-2 (uma obra de arte), brilhou com grande intensidade ao deter um livre superiormente apontado por Gabri Veiga (45+2). 

Dedic (4) — O lateral bósnio teve a melhor ação no encontro ao 73 minutos, com um grande corte a uma iniciativa de Deniz Gul que parecia destinada ao fundo da baliza de Trubin. Porém, o contributo que deu à equipa nunca foi sólido do ponto de vista defensivo, enquanto que a atacar continua sem ter a mínima ideia de como definir as jogadas.  

Tomás Araújo (5) — Um jogo de menos a mais. Inicialmente também sem confiança, quer no transporte, quer no passe, o central encarnado foi crescendo à medida que os minutos foram passando, marcou bem Deniz Gul (um duelo muito físico) e acabou a empurrar o Benfica para a frente. 

Otamendi (4) — O capitão teve uma noite apenas sofrível, dando a sensação de estar condicionado fisicamente. Durou 74 minutos, mas nunca esteve confortável e foi apanhado desposicionado na desmarcação de Froholdt no 0-1. Aos 19 minutos teve uma ação que o define, ao dar o corpo, com graves riscos para a sua integridade física, a um remate de Gul

Dahl (6) — Outro dos jogadores do Benfica que esteve vivo durante todo o encontro, combinando bem com Schjelderup e tapando com eficácia o seu flanco. Percebeu-se a dificuldade no momento de cruzar, atendendo à superioridade no jogo aéreo que o FC Porto estava a revelar. 

Barrenechea (4) — Perdido no jogo, perdido no campo, perdido ante a superioridade numérica do FC Porto a meio-campo, o argentino nunca revelou confiança e não foi o motor de que José Mourinho precisava. Foi bem substituído por Barreiro (74).

Richard Ríos (5) — Melhorou quando fez dupla com Barreiro. Até lá, esteve intermitente, ora a falhar passes fáceis, ora a ganhar bolas divididas, onde não virou a cara à luta. O Benfica precisava mais lucidez do seu playmaker colombiano.

Prestianni (5) – Muita parra e pouca uva. O jovem argentino merecia um dez em entrega e um zero em definição. Deu-se ao jogo como se não houvesse amanhã, mas das suas constantes iniciativas pouco ou nada resultou, quer a cruzar, quer a rematar. 

Rafa (4) — Um jogo muitos furos abaixo do que pode e sabe. Nitidamente desinspirado, Rafa não aproveitou inúmeras bolas entre linhas em que ficou de frente para os centrais. Teve um lance que desperdiçou ao cair sozinho (63) e outro em que, em boa posição, escorregou no momento do remate (58). Aos 24 minutos, num cruzamento da direita desviado por Martim Fernandes, obrigou Diogo Costa a grande defesa. 

Pavlidis (6) — O que trabalhou o grego em prol da equipa, sem ter, quase nunca, a mínima hipótese de ganhar lances em que estava em gritante inferioridade numérica. Foi dele o primeiro remate do jogo (8), à figura de Diogo Costa e assinou uma excelente jogada, da direita para a esquerda, aos 34 minutos.

Lukebakio (6) — Entrou aos 65 minutos e de imediato o Benfica ganhou maior dimensão no flanco direito. Quatro minutos depois rematou ao poste e, na recarga, Schjelderup diminuiu o prejuízo. Fez bons cruzamentos, da direita de pé trocado e não se escondeu defensivamente. 

Ivanovic (6) — Com o croata em campo, aumentaram as dificuldades para a defesa portista que, declaradamente, juntou Varela aos centrais. Precioso, pela excelente técnica, o cruzamento da direita para o 2-2 de Leandro Barreiro. Aos 90+7 ainda assustou, mas a bola saiu à figura.

Leandro Barreiro (6) — Entrou muito bem no jogo, mandando no seu espaço e arrumando uma casa que estava anárquica. Teve ainda chegada à área no lance do golo do empate, que conseguiu através de um remate de difícil execução. 

António Silva (5) — Substituiu Otamendi aos 74 minutos e nunca tremeu. Aguentou bem os duelos e ainda tentou municiar o ataque. 

Bah (5) — Fez uma boa dupla com Lukebakio, temporizando quando era caso disso. Uma grande diferença entre estes dois e Dedic e Prestianni que querem sempre fazer tudo muito depressa e muito bem.