«São muitas viagens, o fuso horário, jogar na altitude, campo difícil...»
Durante a madrugada deste domingo, Portugal empatou a zero no México, naquele que foi o primeiro teste de preparação para o Mundial 2026, e os jogadores reconheceram que ficaram aquém das expectativas, embora Gonçalo Ramos tenha justificado o resultado e a exibição com as circunstâncias extrafutebol.
«São muitas viagens, o fuso horário, jogar na altitude, campo difícil, contra uma equipa com qualidade, mas o que nós conseguimos retirar de bom daqui é que é um jogo amigável e temos muita margem para melhorar. Temos de ver o que fizemos de menos bem e temos muito tempo até ao Mundial ainda para acertar aquilo que há para acertar», disse na zona mista à imprensa portuguesa, no final da partida, comentando a altitude.
«Sim, até notámos mesmo antes do jogo [a altitude]. Chegámos ontem à noite e hoje de manhã comentámos todos o mesmo: que era difícil respirar, alguma tosse, alguma sensação no nariz, mas é acho que faz parte, também aconteceu o mesmo na equipa deles de certeza, até porque têm jogadores que jogam na Europa. É uma experiência difícil, mas é uma boa aprendizagem», admitiu.
«Para mim, é sempre uma alegria vir aqui [à Seleção], seja onde for e que viagem for. Estava desejoso de vir à Seleção outra vez. Como o último estágio já tinha sido há alguns meses, parecia que este nunca mais chegava. Gosto sempre de estar aqui, é mais uma boa experiência. São mais umas boas semanas de família, de trabalho e de bom ambiente. Azteca? É lindíssimo. Gostei muito. É uma experiência única. Os mexicanos são um povo muito alegre, com muita emoção e gosto disso», completou, passando a palavra a João Cancelo.
Foi um teste difícil, apanhámos uma equipa muito física, que era muito agressiva nos duelos, tivemos algumas dificuldades na saída de bola. Acho que não foi um jogo bonito de se ver para o espectador, mas dentro das condições, acho que temos de jogar melhor. Não sei o que é preciso melhorar, acho que tecnicamente temos de ter mais controlo do jogo. Na minha opinião, temos jogadores superiores aos jogadores do México, somos uma equipa melhor do que a equipa do México e temos de dar mais, temos de jogar todos mais. Olhar para dentro de nós e dar um bocadinho mais», afirmou o lateral, esperando fazer melhor diante dos EUA.
«Estes jogos também servem para isso, que são jogos amigáveis. São testes, para experimentar coisas, foi o que fizemos hoje aqui. E é isso, é o que eu penso. Fiquei com uma sensação de que poderíamos ter feito mais e acho que ganhando temos uma sensação melhor do que sair daqui com um empate, mesmo que seja um amigável», acrescentou. «Altitude? Sim, é um fator que temos de nos habituar, viemos aqui também por isso, o mister falou com alguns de nós e tínhamos de superar. Individualmente não senti tanto, senti-me bem no jogo, mas temos de estar habituados a tudo, não pode haver este tipo de desculpas. Vamos ter o Mundial daqui a três meses e vamos ter este tipo de advertências», completou.
Já Rui Silva, que foi dono da baliza, destacou o facto de terem jogado muitos jogadores que não são habituais titulares. «Temos de entrar em cada jogo para vencer, como é lógico, mesmo que seja um amigável. É um jogo de preparação, de adquirir ideias, jogadores também a terem oportunidade, então acho que há de destacar isso. Todos nós temos de aproveitar as oportunidades e acima de tudo o resultado nestes casos não é o mais importante, o importante é a equipa, o entrosamento, o grupo que estamos a construir», explicou.
O guarda-redes do Sporting sabe agora que não vai voltar a entrar em campo, dando lugar a José Sá entre os postes. «Não direi que ganhei créditos, tenho de continuar a trabalhar, fazer o meu trabalho no clube também, se as coisas não correrem bem no clube também dificilmente terei oportunidade de ser chamado. Por isso, tenho um grande objetivo que é estar no Mundial, nunca estive, e então trabalho todos os dias para isso e tento aproveitar as oportunidades. Jogar com os EUA? Não, o Míster é que toma estas decisões, sempre que tiver oportunidade, quero é aproveitá-la. Temos um excelente leque de guarda-redes, o Diogo [Costa], o José [Sá] e o Ricardo [Velho] dão uma grande resposta e eu sinto-me muito grato por poder estar aqui, poder trabalhar e aprender com eles», concluiu.
Por fim, Samu Costa reagiu à sua primeira titularidade por Portugal. «Não estou focado na concorrência, mas sim em mim, no meu trabalho. Estou aqui por mérito meu, pelo trabalho que tenho feito no clube, e sei que a concorrência é muito grande, que jogam em grandes clubes, mas eu quero continuar a fazer o meu trabalho e dificultar a tarefa do selecionador. Se ganhei créditos hoje? Sim, sem dúvida», disse o jogador do Maiorca.