Ruben Guerreiro nega falha de antidopagem: «Até verifiquei se seria 1 de abril»
Ruben Guerreiro negou que a omissão em informar as autoridades antidoping sobre o seu paradeiro teria sido o motivo para a Movistar não lhe ter renovado o contrato que expirou no final de 2025, e uma justificação para o corredor português não ter assinado por outra equipa para continuar a competir.
O jornal espanhol AS noticiou no domingo que Ruben Guerreiro teria «deixado de informar uma viagem durante a última temporada ao ADAMS (Sistema de Administração Antidoping)» e afirmou que o incidente, apesar de não incorrer em procedente disciplinar pela União Ciclista Internacional (UCI) - só é considerada infração ao regulamento antidopagem após a terceira ocorrência em que o ciclista não informa o ADAMS sobre a sua deslocação pontual de paradeiro no mesmo ano -, teria levado a uma «ruptura irreconciliável» entre o corredor e a Movistar.
Em entrevista à publicação portuguesa Topcycling, Guerreiro rejeitou os pressupostos da notícia do AS, insistindo que não tem qualquer advertência por omissão de informação sobre o seu paradeiro.
«Até verifiquei o calendário para ver se seria dia 1 de abril», disse Guerreiro. «Não tenho problemas com o meu paradeiro, não cometi qualquer ilegalidade, nunca recebi sequer um aviso por prova falhada. É normal cometer um pequeno erro por vezes, mas nunca tive qualquer problema», começou por esclarecer.
«Não percebo a base desta história. Nestes onze anos como profissional, as pessoas que trabalham comigo sabem que sempre fui transparente, dedicado ao trabalho e ético», acrescentou.
O ciclista de 31 anos está sem equipa para 2026 e confessou que as lesões limitaram o seu treino sobretudo ao ginásio nos últimos meses. «O meu foco agora é o ginásio e a fisioterapia, e um pouco de ciclismo, dentro dos limites que o meu corpo permitir», explicou.
«Não vou enganar ninguém quando não consigo desempenhar o meu trabalho», disse Guerreiro à Topcycling. «Ainda não me comprometi com ninguém porque não estou em forma para competir, mas estou a trabalhar na minha recuperação», frisou.
Nos últimos dois anos, Guerreiro tem sido condicionado por problemas físicos persistentes, em particular por uma hérnia diagnosticada em janeiro de 2024, que o impediu de manter o nível competitivo apresentado entre 2020 e 2023. Esse período correspondeu às suas melhores temporadas, primeiro ao serviço da EF Education (2020-22) e depois na época de estreia pela Movistar, em 2023.
Natural de Pegões, o corredor ganhou projeção internacional com a vitória numa etapa e a conquista da camisola de rei da montanha na Volta a Itália de 2020, bem como com o triunfo no Mont Ventoux Dénivelé Challenge, em 2022. Estes resultados despertaram o interesse da Movistar, que avançou para a sua contratação no final desse ano, vendo no português um ciclista combativo e versátil, com perfil para provas de um dia e corridas por etapas de uma semana.
Na primeira temporada pela equipa espanhola, em 2023, Ruben Guerreiro venceu o AlUla Tour, na Arábia Saudita, foi terceiro classificado n’O Gran Camiño, apenas atrás de Jesús Herrada e do vencedor Jonas Vingegaard, e terminou a Volta à Occitânia no 9.º lugar. Acabaria por abandonar o Tour de França durante a 14.ª etapa.
Em 2024 surgiram os primeiros sinais da lesão que comprometeu a sua preparação de inverno e o rendimento ao longo da época competitiva, problemas que se prolongaram sem melhorias significativas em 2025. A última prova disputada pelo ciclista português foi o Grande Prémio de Montreal, no Canadá, a 14 de setembro, corrida que não concluiu.