John Textor com Renato Paiva na apresentação do novo treinador do Botafogo (Foto: Vitor Silva/Botafogo)
John Textor com Renato Paiva na apresentação do novo treinador do Botafogo (Foto: Vitor Silva/Botafogo)

Renato Paiva: «Textor despediu-me porque quis interferir no meu trabalho»

Treinador português lembra saída do Botafogo durante o Mundial de Clubes

O despedimento de Renato Paiva do Botafogo continua a fazer manchetes no Brasil, mais de meio ano depois.

O treinador português concedeu uma entrevista ao Globoesporte na qual deu mais detalhes sobre a forma como tudo aconteceu durante o Mundial de Clubes, após uma derrota frente ao Palmeiras, poucos dias depois de ter interrompido uma entrevista dele para o beijar, após o triunfo sobre o PSG.

«Há uma entrevista do senhor que me despediu, na qual ele diz que me despede porque eu traí os meus princípios. Eu nunca pude responder nem quis, mas eu vou dizer que eu fui despedido exatamente porque não traí os meus princípios. Porque essa pessoa quis interferir constantemente no meu trabalho e eu não deixei. E esse é o verdadeiro motivo do meu despedimento. Não é o Palmeiras. Não é a derrota no Mundial. Não é um beijo de três dias e depois despedido», declarou.

Renato Paiva detalhou depois alguns episódios de tentativas de interferência do dono do clube, como quando o treinador mudou a posição do lateral Cuiabano e passou a apostar nele como extremo.

«O Cuiabano começa a fazer golos, a ser o melhor em campo em vários jogos. E eu recebo um recado de que não posso colocar o Cuiabano como ponta [extremo] porque ele tem de ser vendido como lateral. E eu pergunto: este senhor está preocupado com o Botafogo? Está preocupado com os adeptos do Botafogo, que gostam de ver a sua equipa a ganhar, ou está preocupado com outra coisa?», questiona.

De resto, a forma como o empresário norte-americano agiu no momento de o despedir também foi entendido pelo português como um ato de cobardia.

«Ele tem todo o direito de me despedir, mas foi muito feio como o fez. Porque nós perdemos o jogo com o Palmeiras, vamos para o hotel, ele fala com o grupo, almoça, despede-se ao meu lado, estava a falar com o Cláudio Caçapa, ele vem, despede-se e diz-me: ‘keep going coach, keep going’ (continue assim)’. Eu jamais me esqueço. Um abraço e ‘keep going coach’», começa por relatar.

No dia seguinte, porém, seria informado por dois diretores que afinal estava fora do clube.

«Ele não despede ninguém. Ele manda despedir. Portanto, tem todo o direito de me despedir. Mas a forma como as coisas são feitas é aquilo que dói. Em vez do ‘keep going coach’, ia a uma sala e dizia: ‘olha, eu não gostei do jogo do Palmeiras, eu não gosto do teu penteado, eu não gosto de como é que te vestes, eu sou o dono, vamos acabar o contrato’. Hoje, eu sei que ele me queria despedir. Mas depois, mandar os outros fazerem isso?», lamenta.