Após bater o Vizela, para a Liga 2, treinador também festejou no primeiro jogo em Torres Vedras, com o triunfo diante da UD Leiria, na prova rainha - Foto: Torreense
Após bater o Vizela, para a Liga 2, treinador também festejou no primeiro jogo em Torres Vedras, com o triunfo diante da UD Leiria, na prova rainha - Foto: Torreense

Rei do Carnaval de Torres Vedras? Tralhão pegou na qualidade e acrescentou selo próprio

Técnico, que liderava a equipa de sub-23 dos azuis-grená, sucedeu a Vítor Martins e devolveu o emblema do Oeste aos dias felizes. Já fez história na Taça de Portugal e promete lutar até ao fim pela subida à Liga

Os sorrisos estão de volta a Torres Vedras. Depois de uma grande parte da época muito nivelada por cima, fruto do excelente trabalho realizado por Vítor Martins, a parte final do ano civil de 2025 não foi tão conseguida e a fatura acabou por sobrar... para o treinador.

Entre 30 de novembro e 30 de dezembro os azuis-grená viveram uma fase com maus resultados — em seis jogos, contabilizaram cinco derrotas consecutivas para a Liga 2 e apenas uma vitória, para a Taça de Portugal (2-1 ao Casa Pia, nos oitavos de final) —, pelo que a administração do clube de Torres Vedras decidiu-se pela mudança no comando técnico.

Vítor Martins, que a 14 de novembro do ano passado tinha renovado contrato até 2027, ficando com uma cláusula de rescisão de 25 milhões de euros (!), chegou a acordo com o Torreense para a cessação do vínculo e a SAD do emblema do Oeste encontrou a solução... dentro de portas: Luís Tralhão, à data na liderança dos sub-23, foi promovido â equipa principal.

O facto de conhecer bem os cantos à casa também potenciou o processo de adaptação de Luís Tralhão à nova realidade e a estrutura do futebol liderada por André Sabino não teve dúvidas em colocar o irmão de João Tralhão (adjunto de José Mourinho no Benfica) ao leme do projeto que está no topo da pirâmide do clube.

E, por esta altura, o que se pode dizer é que a escolha não poderia ter sido mais acertada. Com Luís Tralhão ao leme, o Torreense realizou dois jogos e... venceu ambos.

A estreia do técnico, de 47 anos, acontecera no passado dia 5, no terreno do Vizela, num embate da 17.ª e última jornada da primeira volta do campeonato, sendo que os oestinos regressaram de solo minhoto com os três pontos na bagagem: triunfo por 1-0, com um golo apontado por Musa Drammeh, já perto do final do encontro.

O balneário reagiu muito bem aos novos métodos de trabalho e voltou a prová-lo anteontem, na receção à UD Leiria: vitória por 3-1 (com um bis de Kévin Zohi e um tento de Musa Drammeh) e apuramento garantido para as meias-finais da Taça de Portugal, fase da prova onde o Torreense já não estava há... 70 anos!

Fomos uns justos vencedores. Criámos mais oportunidades e acabámos por fazer três golos. Tínhamos o sentimento de que podíamos fazer história e colocar o Torreense nas meias-finais da Taça de Portugal pela primeira vez neste século, e para nós é um motivo de orgulho fazer parte desta história. Estou também orgulhoso por fazer o meu primeiro jogo em casa pela equipa principal do Torreense. Não vou esquecer esta noite. Quero também dar uma palavra à equipa técnica anterior, esta vitória também é para eles e tenho a certeza de que partilham da nossa felicidade. Sorteio? Honestamente, não tenho qualquer tipo de preferência. Teremos de nos preparar para essa eliminatória, que irá testar todos os nossos limites. Claro que não seremos os favoritos, em princípio, mas temos o nosso sonho.

Luís Tralhão, que tem contrato até 2027, vai dando os primeiros passos nas novas funções, mas já está a escrever história. E promete lutar (também) pela subida à Liga...