Vítor Pereira regressou ao Dragão - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
Vítor Pereira regressou ao Dragão - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+

Regresso ao Dragão e a melhor equipa em Portugal: tudo o que disse Vítor Pereira

Treinador do Nottingham Forest comenta empate no regresso a uma casa que bem conhece

De regresso ao Dragão, Vítor Pereira analisou o empate (1-1) entre FC Porto e Nottingham Forest, na 1.ª mão dos quartos de final da UEFA Europa League.

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- Tendo em conta o que se passou nas quatro linhas, com poucas oportunidades do Forest, considera que houve mais mérito do FC Porto ou demérito da sua equipa?
- Melhor o resultado do que a exibição, mas mudámos 9 jogadores. Porquê? Porque daqui a dois dias e meio jogamos contra o Aston Villa. As duas primeiras substituições já foram a pensar nesse jogo.Se estivéssemos seguros na Premier League, estaríamos aqui a falar de outro jogo, mas não é possível. Estou satisfeito com o resultado; os jogadores deram tudo e mantiveram a eliminatória em aberto. Vamos ver que equipa podemos fazer para a próxima semana.

- O autogolo de Martim Fernandes prejudicou o FC Porto e deu ânimo ao Forest?
- Faz parte do jogo. Forçou-se uma pressão e houve uma falha de comunicação deles; acabámos por marcar. Sei que defrontámos um FC Porto forte a jogar no Dragão, que é sempre difícil. Mudámos 9 jogadores e estes que jogaram não têm tido os mesmos minutos, o mesmo ritmo ou a mesma competição que os outros. O tempo em Inglaterra não está igual, aqui está mais quentinho e fiquei com a sensação de que isso nos desgastou; a adaptação dos jogadores do FC Porto já estava feita, lá tem estado frio e vento. Não foi surpresa nenhuma. Por todas estas alterações que fiz e por termos de gerir não um, mas dois jogos. Aqui em Portugal ouço queixarem-se de que a Liga Europa penaliza muito as equipas, mas vejo as equipas alterarem o jogo [calendário]. Nós, em Inglaterra, jogamos às 14h de domingo, o que quer dizer que não temos 72 horas para recuperar. Nesse sentido, as primeiras duas substituições já foram a pensar no Aston Villa. Estamos a lutar pela manutenção na Premier League contra o West Ham, Leeds e Tottenham; isto tem de ser levado muito a sério. Tenho as minhas ambições na Europa e o clube também, mas tenho de ser responsável e ver que temos de somar pontos rapidamente para permanecer na Premier League.

- Como se sente pela homenagem no Dragão?
- Foi um gesto bonito que não esperava. Fiquei muito contente pela receção dos adeptos, pelo gesto do clube e do presidente. Vou feliz. O futebol... vamos ver para a semana. Estamos no intervalo e vamos ver que equipa podemos apresentar para discutir a eliminatória.

- Que jogo vai haver em Inglaterra daqui a uma semana?
- Até eu queria saber... Se ganharmos ao Aston Villa, é uma coisa. Espero que estejamos em condições de competir com uma grande equipa que ainda hoje foi ganhar por 3-1 ao Bolonha. Depois desse jogo, vamos ver, mas podem ter a certeza de que vamos competir para seguir em frente nesta competição [Liga Europa]. Agora, a forma como vamos competir depende deste jogo [contra o Villa]; os próximos dois jogos em casa para a liga são muito importantes para nós.

- O plano de jogo correu como esperava?
- A ideia era ganhar o jogo e jogar melhor. Não foi possível jogar com mais qualidade porque jogámos contra uma equipa muito pressionante; às vezes encontrámos o espaço, mas nem sempre. Levar a eliminatória para Nottingham fazia parte do plano também. Uma vitória era melhor, claro, mas vamos com um empate e vamos jogar a 'segunda parte' [a segunda mão] em casa.

- O FC Porto foi mais difícil de defrontar do que estava à espera?
- É uma equipa pressionante, com transições rápidas que aproveita todos os momentos para acelerar o jogo, mas que também sabe pausar quando necessário. Não foi o jogo que projetámos, mas mostramos espírito de equipa: procurámos estar organizados, feri-los em certos momentos e, com um bocadinho de sorte, não sofrermos mais golos. Marcámos um... levar um 2-1 para casa não era justo, mas era melhor para nós. O FC Porto teve situações perigosas; não defendemos bem o movimento do William, e houve uma ou outra oportunidade em que a bola entrou entre linhas... mas muito do jogo do FC Porto foi de espera, para acelerar depois. Vamos ver o segundo jogo, mas é um FC Porto forte com esta energia dos adeptos, com esta mística... Estão num momento em que se criou aquela energia de que é possível ganhar títulos outra vez.

- O FC Porto é a melhor equipa a jogar em Portugal?
- Isso já é outro campeonato. Já não é a minha luta; a minha luta é outra: é chegar agora ao quarto e já começar a ver o Aston Villa, para perceber como jogaram contra o Bolonha. O campeonato português continua a ser competitivo, também com muito extra-jogo para discutir... é engraçado, vivemos o futebol assim. Discutimos outras coisas durante a semana. O Sporting também está num bom momento, mas não vou estar aqui a dar a minha opinião sobre as equipas portuguesas.

- Como viveu este regresso ao Dragão?
- Se não voltei mais cedo, foi precisamente pelas emoções, porque isto mexe comigo. Traz à memória muita coisa que vivi aqui e, por isso, estou lá no meu canto. Agora estou em Inglaterra, mas foi isso: um gesto bonito. Para a semana estaremos a competir e tudo farei para seguir em frente nesta competição.