Lateral direito está de saída do Valência, aponta ao Veneza e fala do presente, do passado, do futuro e do 'seu' Sporting

«Rafael Leão sabe que tem um dom diferente»

Thierry Correia diversos jogadores do Sporting, alguns deles que fizeram formação consigo e um talento muito especial

— Como vê a evolução de Gonçalo Inácio, que nas camadas jovens muitas vezes não era titular?

— Quando chegou à equipa principal do Sporting, surpreendeu-me um bocado porque eu não sabia bem da trajetória dele dentro do Sporting. Sabia que ele nem sempre tinha sido titular e quando chegou a primeira equipa vi um central de pé esquerdo diferenciado. Penso que dá muito ao Sporting e também pode dar muito à Selecção.

— E o Daniel Bragança, deve sair ou ficar?

­— É uma decisão que é dele. Mas para mim, o Daniel é o meu eterno capitão. Jogámos juntos durante dez anos, ele sempre foi meu capitão. Então vê-lo a jogar de verde e branco com a braçadeira é uma coisa agradável.

— Há quem diga que ele pode dar um bom dirigente...

— É uma pessoa incrível, um colega incrível, um amigo muito melhor e como jogador tem uma qualidade imensa. O pensamento dele do futebol é diferente dos do resto. Não tem tido muita sorte com as lesões e por isso penso que tem muito mérito de estar onde ele está, porque não é fácil, depois de duas lesões no joelho que foram gravíssimas.

Rafael Leão tem um talento incrível. Acha que ele o andou a desperdiçar durante a época passada no Milan?

— Não digo desperdiçar. Sei que, às vezes, é difícil manter a consistência e ele pode ter tido um ano menos bom, mas com a qualidade, com as caraterísticas que ele tem, a qualquer momento pode resolver um jogo. E eu acho que temos que continuar a confiar nele. Eu confio muito nele e sei que ele pode dar muito mais do que está a dar neste momento.

— Às vezes não tem consciência daquilo que pode fazer dentro de campo?

— Ele tem consciência desde que somos crianças, essa consciência de que tem um dom diferente do resto. Ele tem uma personalidade que dá a sensação de que não está interessado, mas é uma pessoa que se interessa muito, sim. E precisa de muito carinho. Da parte dos treinadores e dos colegas. Ele ainda tem muito para dar, tanto a Portugal como ao clube.

— Nas camadas jovens, como é que funcionava? Vocês estavam apertados e davam a bola ao Leão para ele resolver?

— Quando éramos miúdos, antes dos jogos, havia jogadores adversários que nos perguntavam: 'Sabes se não vai jogar amanhã?' Porque era uma coisa… Porque ele é como é agora, como quando era miúdo, parecia que não estava em campo. De repente, dava-se-lhe a bola e ele resolvia o jogo. E houve uma altura em que tivemos que lutar muito para merecer o nosso espaço no Sporting. E por isso eu estou muito orgulhoso do caminho que ele está a fazer. Se deve sair ou ficar no Milan? Falamos mais de outros assuntos; o que ele decidir, vou ficar feliz por ele.

— Como vê a aposta em Tiago Fernandes, que foi seu treinador e vai regressar para orientar a equipa B do Sporting?

— O Sporting faz bem em apostar num treinador da casa que sente o clube, que já demonstrou que é muito bom a formar jogadores e pessoas e que conseguiu conquistar coisas no Sporting. É um excelente treinador de ligação entre a equipa B e a principal porque prepara os seus jogadores física e mentalmente já para o futebol profissional de elite. Além de um excelente treinador, é uma ótima pessoa que tenta ajudar os seus jogadores em tudo o que pode.

A iniciar sessão com Google...